A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o fim da transmissão do HIV de mãe para filho no Brasil, um marco significativo na luta contra o HIV/Aids
O Brasil foi oficialmente reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) pelo fim da transmissão do HIV de mãe para filho, também conhecida como transmissão vertical do HIV. A conquista coloca o país como o maior do mundo a obter essa certificação como problema de saúde pública, marcando um avanço significativo no controle da pandemia no território brasileiro.
Segundo o anúncio feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o Brasil apresentou um dossiê com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), que demostraram a eficácia das políticas públicas voltadas à prevenção e ao tratamento. A certificação é resultado de décadas de investimentos em testagem, tratamento antirretroviral em gestantes e apoio ao pré-natal.
O Ministério da Saúde divulgou, no início do mês, um novo boletim epidemiológico sobre HIV/Aids que aponta queda expressiva nos indicadores de transmissão do vírus no Brasil. Em 2024, o país registrou uma redução de 7,9% nos casos de gestantes vivendo com HIV e uma diminuição de 4,2% no número de crianças expostas ao vírus.
Os dados também revelam um avanço importante na prevenção da transmissão do HIV de mãe para filho. O início tardio da profilaxia neonatal, tratamento essencial para evitar a infecção do bebê, caiu 54%, demonstrando maior eficiência no acompanhamento das gestantes durante o pré-natal.
Além disso, o Brasil atingiu mais de 95% de cobertura em consultas de pré-natal, com ampla testagem para HIV e oferta de tratamento antirretroviral às gestantes soropositivas.
“Significa que o Brasil conseguiu eliminar graças ao SUS [Sistema Único de Saúde], aos testes rápidos das unidades básicas de saúde, aos testes do pré-natal, às gestantes que têm HIV tomarem a medicação pelo SUS”, disse Padilha, durante o programa “Bom dia, Ministro”, no CanalGov.
Documentação foi enviada à OMS em junho
Os dados que embasam o reconhecimento do fim da transmissão vertical do HIV no Brasil foram encaminhados à Organização Mundial da Saúde (OMS) em junho. A iniciativa faz parte do esforço do país para obter a certificação internacional de eliminação da transmissão do vírus de mãe para filho.
A busca pela certificação integra as metas do programa Brasil Saudável, lançado pelo governo federal no início do ano passado, com o objetivo de eliminar ou reduzir a carga de 14 doenças determinadas socialmente.
Além da transmissão vertical do HIV, o programa também pretende alcançar a certificação internacional para a eliminação da sífilis, hepatite B, doença de Chagas e HTLV.
Reconhecimento do avanço no combate ao HIV
Durante a abertura do XV Congresso da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis (SBDST), do XI Congresso Brasileiro de Aids e do VI Congresso Latino-Americano de IST/HIV/Aids, realizados no Rio de Janeiro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância do marco alcançado pelo país.
Em nota a pasta celebrou: “Isso significa que o país interrompeu, de forma sustentada, a infecção de bebês durante a gestação, o parto ou a amamentação, atingindo integralmente as metas internacionais. Os resultados estão em linha com os critérios da OMS”.
A transmissão vertical do HIV, ocorre quando o vírus é passado da mãe para o bebê durante a gestação, parto ou amamentação, segue controlada no Brasil. Desde 2023, a taxa de infecção entre bebês nascidos de mães vivendo com HIV permanece abaixo de 2%, enquanto a incidência de novos casos se mantém inferior a 0,5 por mil nascidos vivos, patamar exigido por organismos internacionais para o reconhecimento da eliminação da transmissão vertical.
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