O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou na quinta-feira (18) uma ordem executiva que redefine a política espacial do país.

Trump defende liderança dos EUA no espaço e anuncia plano de retorno à Lua

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na quinta-feira (18) uma ordem executiva que redefine a política espacial do país e estabelece metas ambiciosas para a exploração fora da Terra. Intitulado Ensuring American Space Superiority (“Garantindo a Superioridade Espacial dos Estados Unidos”, em tradução livre), o documento tem como foco a segurança nacional, a expansão econômica e a presença humana contínua no espaço.

A Casa Branca classifica o espaço como um elemento estratégico para a prosperidade e a proteção dos interesses americanos. Segundo a ordem, os EUA devem adotar uma política capaz de ampliar a exploração espacial, incentivar o desenvolvimento comercial do setor e sustentar uma nova fase da atuação humana além do planeta.

Retorno à Lua e base permanente

Entre os principais objetivos está o retorno de astronautas à Lua até 2028. A ordem executiva também determina o início da construção de uma base lunar permanente até 2030. A justificativa é garantir uma presença americana contínua no espaço e criar condições para etapas futuras da exploração de Marte.

De acordo com o texto, a infraestrutura na Lua deverá servir como ponto de apoio para missões de longa duração, consolidando o papel dos Estados Unidos como referência em exploração espacial tripulada. A proposta representa um avanço em relação a missões pontuais realizadas em décadas anteriores.

Uso de energia nuclear no espaço

O documento inclui o uso de energia nuclear como prioridade estratégica. O plano prevê a implantação de reatores nucleares tanto em órbita terrestre quanto na superfície lunar, com pelo menos uma dessas unidades pronta para lançamento em direção à Lua até 2030.

Segundo o governo americano, esse tipo de fonte energética é considerado essencial para sustentar operações contínuas fora da Terra, especialmente em ambientes onde a geração de energia solar pode ser limitada.

Defesa espacial e sistemas antimísseis

Outro ponto central da ordem executiva é o fortalecimento das capacidades defensivas dos Estados Unidos no espaço. O texto determina o desenvolvimento e teste de tecnologias de defesa antimísseis de nova geração até 2028, com o objetivo de ampliar gradualmente a proteção aérea e contra mísseis do país.

As iniciativas estão alinhadas a uma diretriz anterior que trata do chamado “Domo de Ferro da América”, conceito que Trump já descreveu publicamente como um “Domo de Ouro”, pensado como um escudo de defesa para o território americano.

Expansão da economia espacial

A ampliação da economia espacial também aparece como prioridade no documento. O governo pretende atrair ao menos US$ 50 bilhões em novos investimentos para o setor espacial americano até 2028. Além disso, a ordem defende o aumento no ritmo de lançamentos e pousos de foguetes, que já atingem níveis recordes.

O texto reforça ainda o plano de contar com estações espaciais privadas em órbita terrestre antes da aposentadoria da Estação Espacial Internacional, prevista para 2030. A meta é garantir a continuidade das atividades humanas em órbita baixa.

Diretrizes para implementação

A ordem executiva estabelece prazos para a execução das medidas. A Nasa terá até 90 dias para apresentar um plano detalhando como pretende cumprir os objetivos de liderança global em exploração espacial e expansão da presença humana americana fora da Terra.

No mesmo período, o administrador da agência, Jared Isaacman, em conjunto com o secretário de Comércio, deverá identificar programas de aquisição que estejam atrasados, acima do orçamento ou desalinhados com as novas prioridades. O relatório deverá apontar medidas corretivas ou de mitigação.

Mudanças na governança espacial

A nova diretriz também revoga um decreto assinado em 2021 pelo então presidente Joe Biden, que havia renovado oficialmente o Conselho Nacional do Espaço. O órgão, recriado por Trump em seu primeiro mandato, pode ser encerrado com a nova decisão.

O Conselho é presidido pelo vice-presidente dos Estados Unidos e tem a função de orientar a política espacial do país. A revogação do decreto indica uma possível reformulação na forma como o governo federal coordena suas ações no setor.

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