Após a morte de Lindomar Castilho, aos 85 anos, a filha do cantor, Lili de Grammont, publicou um desabafo marcante nas redes sociais. Na mensagem, ela relaciona a morte do pai ao assassinato da mãe, Eliane de Grammont, cometido por ele em 1981, e reflete sobre finitude, perdão, dor e responsabilidade emocional.

Lindomar Castilho e a filha Lili De Grammont — Foto: Reprodução/Redes sociais
Lindomar Castilho e a filha Lili De Grammont — Foto: Reprodução/Redes sociais

A morte de Lindomar Castilho, neste sábado (20), aos 85 anos, ganhou repercussão nas redes sociais não apenas pela trajetória artística do cantor, mas principalmente pelo forte desabafo de sua filha, Lili de Grammont. Em uma mensagem pública, ela abordou a partida do pai sob a ótica da violência que marcou a história da família e refletiu sobre os impactos irreversíveis do assassinato da mãe, a cantora Eliane de Grammont.

“Meu pai partiu. E, como qualquer ser humano, ele é finito”, escreveu Lili. Em seguida, relacionou diretamente a morte do cantor ao crime cometido por ele em 1981. “Ao tirar a vida da minha mãe, também morreu em vida. O homem que mata também morre. Morre o pai e nasce um assassino; morre uma família inteira.”

A fala expõe o peso simbólico da tragédia que atravessou gerações e que, segundo ela, nunca se encerrou de fato. Lili afirmou que se despede do pai com a consciência de que fez o que estava ao seu alcance enquanto filha, mesmo diante da dor. “Assim me despeço do meu pai, com a consciência de que a minha parte foi feita — com dor, sim, mas com todo o amor que aprendi a sentir e expressar nesta vida.”

Em outro trecho, a filha de Eliane de Grammont refletiu sobre a complexidade do perdão em situações extremas como a vivida por sua família. “Se eu perdoei? Essa resposta não é simples como um sim ou um não. Ela envolve todas as camadas das dores e das delícias de existir, de ser um ser complexo e em constante transformação”, escreveu.

A publicação também trouxe uma reflexão mais ampla sobre a condição humana e a responsabilidade emocional nas relações. “Somos finitos, nem melhores e nem piores do que o outro. Não somos donos de nada e nem de ninguém. Somos seres inacabados, que precisamos olhar pra dentro e buscar nosso melhor”, afirmou.

O desabafo reacendeu a memória do assassinato de Eliane de Grammont, morta a tiros pelo ex-marido durante uma apresentação em São Paulo, crime que chocou o país e se tornou um marco na luta contra a violência doméstica, eternizado pelo lema “Quem ama não mata”.

Lindomar Castilho foi condenado a 12 anos de prisão, cumpriu parte da pena e deixou a cadeia na década de 1990. Após isso, viveu de forma discreta, longe dos holofotes. Mesmo com o reconhecimento popular por sucessos musicais, sua história pública permaneceu indissociável do crime — fato que a filha fez questão de relembrar, não como julgamento tardio, mas como exercício de memória, dor e reflexão.

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