A morte de Lindomar Castilho, registrada na última sexta-feira, levou a filha do cantor, a psicóloga e coreógrafa Lili De Grammont, a tornar público um desabafo sobre a relação marcada por dor, silêncio e reflexões profundas. Filha também da cantora Eliane de Grammont, assassinada em 1981 pelo então companheiro, Lili usou as redes sociais para compartilhar pensamentos sobre luto, humanidade e o impacto de uma tragédia que atravessou décadas.
No texto, Lili evita respostas simples e adota um tom introspectivo ao refletir sobre identidade e sentimentos difíceis de traduzir. Ela afirma que vive um momento de reflexão intensa, marcado por uma percepção ampliada da vida e da necessidade de evolução emocional. Para ela, o sofrimento pessoal acabou se transformando em um exercício constante de consciência e amadurecimento.
Ao mencionar diretamente o pai, Lili afirma que Lindomar deixou de existir simbolicamente no instante em que matou Eliane. Segundo ela, o crime não encerrou apenas uma vida, mas destruiu toda uma estrutura familiar. No relato, descreve o assassinato como um ponto de ruptura definitivo, que transformou o pai em algo irreconhecível e interrompeu qualquer possibilidade de relação afetiva tradicional.
Lili também abordou o tema do perdão, mas fez questão de deixar claro que o sentimento não pode ser resumido a uma resposta direta. Segundo ela, perdoar não é um ato simples nem imediato, mas um processo atravessado por dores, contradições e aprendizados ao longo do tempo. Ainda assim, afirmou desejar que a alma do pai encontre algum tipo de transformação, citando a necessidade de superação de padrões de violência e masculinidade tóxica.
O relato termina com uma reflexão sobre a brevidade da vida e a importância de vivê-la com consciência, verdade e busca por sentido. Para Lili, a experiência do luto e da violência a levou a enxergar a existência como um espaço de aprendizado contínuo, mesmo diante das marcas deixadas por uma tragédia irreversível.
Lindomar Castilho foi condenado pelo assassinato de Eliane de Grammont, morta a tiros em 30 de março de 1981, enquanto se apresentava em uma casa noturna em São Paulo. O cantor foi julgado em 1984 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e o caso se tornou um dos crimes mais emblemáticos da história da música brasileira.
