Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão ficar com os 1,9 milhão de barris de petróleo apreendidos na costa da Venezuela e com os navios petroleiros interceptados nos últimos dias. A declaração ocorreu durante o anúncio de uma nova classe de navios de guerra, enquanto Washington intensifica a pressão econômica e militar contra o regime de Nicolás Maduro. Caracas acusa os EUA de pirataria e agressão.

Reprodução/Flickr/White House
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou novamente o tom contra o regime de Nicolás Maduro ao afirmar, nesta segunda-feira (22), que o governo norte-americano vai manter sob seu domínio os 1,9 milhão de barris de petróleo apreendidos em um navio-tanque ligado à Venezuela.

“Vamos ficar com ele. Vamos ficar com os navios também”, declarou Trump ao comentar a carga interceptada recentemente na costa venezuelana.

As falas ocorreram durante uma coletiva de imprensa em que Trump anunciou a construção de novos navios de guerra, chamados de “classe Trump”, apresentados ao lado do secretário de Guerra, Pete Hegseth, e do secretário da Marinha, John Phelan. O presidente classificou os equipamentos como “os navios mais letais da história dos Estados Unidos”.

A ofensiva norte-americana se insere em uma estratégia mais ampla de ampliar a pressão econômica sobre o regime chavista, especialmente sobre as receitas provenientes do petróleo, principal fonte de recursos da Venezuela. Nas últimas semanas, os EUA intensificaram operações navais no Caribe e interceptaram três petroleiros ligados a Caracas.

No domingo (21), um terceiro navio foi detido próximo à costa venezuelana. Antes disso, os EUA haviam apreendido o navio Centuries, no sábado (20), e o petroleiro Skipper, no dia 10 de dezembro. Trump já havia declarado que pretende impor um “bloqueio total” a embarcações que entrem ou saiam de portos venezuelanos e estejam sujeitas a sanções.

A Venezuela, por sua vez, acusa Washington de agressão. O chanceler Yván Gil afirmou que os Estados Unidos “sequestraram e roubaram” cerca de 4 milhões de barris de petróleo após apreensões no Caribe. “Estamos enfrentando uma campanha de agressão, de terrorismo psicológico e de corsários que assaltaram petroleiros”, disse Maduro, que afirmou ainda que o país está preparado para “acelerar a marcha da Revolução profunda”.

Possível cenário pós-Maduro

Trump também declarou ter mantido conversas com empresas petrolíferas americanas sobre um possível cenário pós-Maduro e os impactos para o setor energético, mas não detalhou os termos desses diálogos. Questionado se a escalada militar e naval dos EUA poderia ter o objetivo de forçar a queda do líder venezuelano, Trump não negou diretamente e sugeriu que essa possibilidade está no horizonte.

As ações de Washington têm sido justificadas como parte do cumprimento de sanções internacionais, enquanto Caracas insiste que se trata de pirataria e de uma ofensiva geopolítica para estrangular economicamente o país.

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