Silvinei Vasques rompeu a tornozeleira eletrônica, deixou o Brasil por via terrestre e tentou embarcar para El Salvador com passaporte falso, sendo preso no Paraguai. O ex-diretor da PRF teve a prisão preventiva decretada por Alexandre de Moraes e foi condenado pelo STF por integrar a trama golpista e interferir nas eleições de 2022.
Preso nesta sexta-feira (26) no Paraguai ao tentar fugir do Brasil, o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques rompeu a tornozeleira eletrônica, utilizou um passaporte falso e tentou deixar o país com destino final a El Salvador. As informações constam de apurações conduzidas por investigadores responsáveis pelo caso.
De acordo com autoridades brasileiras, Silvinei violou diretamente as medidas cautelares impostas pela Justiça ao romper o equipamento de monitoramento eletrônico. Na decisão que decretou a prisão preventiva, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), informou que a tornozeleira perdeu sinal na madrugada do dia de Natal, por volta das 3h, e ficou completamente sem conexão por volta das 13h do mesmo dia.
As investigações indicam que Silvinei deixou o Brasil por via terrestre, evitando aeroportos e controles migratórios mais rigorosos, e seguiu até o Paraguai. No país vizinho, tentou embarcar em um voo internacional para o Panamá utilizando um passaporte paraguaio original. O documento não correspondia a sua identidade, o que levou à abordagem e à prisão pelas autoridades migratórias locais.
Condenado pela trama golpista
Condenado pelo STF no julgamento do chamado “núcleo 2” da trama golpista, Silvinei foi considerado responsável por usar a estrutura da PRF para interferir no processo eleitoral de 2022. Segundo a Corte, ele coordenou operações que dificultaram o deslocamento de eleitores, especialmente no Nordeste, região onde o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentrava maior intenção de votos. A prisão definitiva para o cumprimento da pena ainda não havia sido decretada.
Além disso, de acordo com a acusação, Silvinei e outros quatro aliados teriam participado da elaboração da chamada “minuta do golpe”, além de ações de monitoramento e de um plano que previa o assassinato do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes. O grupo também teria articulado o uso da PRF para dificultar o exercício do direito ao voto no segundo turno das eleições de 2022.
Até a última atualização desta reportagem, a defesa de Silvinei Vasques não havia se manifestado sobre o rompimento da tornozeleira eletrônica, o uso de passaporte falso e a tentativa de saída do país.
