Caitlin Ner, executiva de uma startup de geração de imagens por inteligência artificial, contou como o uso compulsivo dessas ferramentas desencadeou um episódio maníaco com psicose. Diagnosticada com transtorno bipolar e até então estável, ela perdeu a noção entre fantasia e realidade após meses criando versões de si mesma.
O fascínio pela inteligência artificial virou um alerta de saúde mental para Caitlin Ner. Diretora de experiência do usuário em uma startup de geração de imagens por IA, ela relatou à Newsweek (com repercussão da CNN) que desenvolveu um colapso psicológico após passar longas jornadas criando retratos de si mesma em cenários imaginários.
No início, o trabalho parecia inofensivo. Bastava digitar comandos para surgir na tela como anjo, estrela pop ou exploradora espacial. Com o tempo, porém, o processo se transformou em obsessão. As primeiras versões, com corpos distorcidos e imperfeições, afetaram sua percepção física; as versões mais recentes, esteticamente “perfeitas”, ampliaram o contraste com o espelho e intensificaram o desejo de parecer com a imagem artificial.
Diagnosticada com transtorno bipolar e sob tratamento, ela se considerava estável até então. A rotina mudou quando passou a abrir mão do sono e a repetir sem parar o ciclo de gerar novas imagens. Cada resultado trazia uma recompensa imediata, prazer, validação e a sensação de que sempre era possível “ir além”.
Caitlin passou por um episódio de psicose
O ápice veio com um episódio maníaco com psicose. Caitlin relata ter visto mensagens ocultas nas imagens e ouvido vozes, algumas tranquilizadoras, outras agressivas. Em um momento crítico, após ver uma montagem sua montada em um cavalo alado, passou a acreditar que podia voar. As alucinações a incentivavam a pular da varanda, assegurando que nada aconteceria.
Exausta, ela contou com o apoio de pessoas próximas, deixou o emprego e reduziu drasticamente a exposição às imagens. Terapia intensiva e tratamento adequado ajudaram a estabilizar o quadro e a reconstruir a relação com o próprio corpo.
Ela segue usando as ferramentas com restrições
Hoje, ela segue usando IA, mas com limites rígidos: sessões curtas, pausas obrigatórias e atenção aos sinais de alerta. Ela defende mudanças nas empresas do setor, como controle de tempo, avisos sobre riscos psicológicos e orientações específicas para quem passa horas nessas ferramentas.
Para a executiva, a experiência mostrou como sistemas envolventes podem acionar mecanismos de dependência semelhantes aos das redes sociais, especialmente em pessoas vulneráveis.
“Não é a tecnologia em si, mas a forma como nos relacionamos com ela”, resume.
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