A pesquisa, publicada na revista científica Aging, analisou amostras de sangue de 1.669 pessoas e identificou uma associação entre níveis mais altos de teobromina no organismo e indicadores de juventude biológica
Consumir chocolate amargo pode trazer benefícios que vão além do prazer à mesa. Um estudo conduzido por pesquisadores do King’s College London (KCL), no Reino Unido, aponta que o alimento pode contribuir para retardar o envelhecimento biológico do corpo, graças à presença da teobromina, substância natural encontrada no cacau.
De acordo com a pesquisa, pessoas que apresentavam níveis mais elevados de teobromina no sangue demonstraram marcadores biológicos associados a um envelhecimento mais lento. Esses indicadores, conhecidos como biomarcadores, são usados pela ciência para avaliar como o corpo envelhece internamente, independentemente da idade cronológica.
Os resultados foram divulgados no dia 10 de dezembro, na revista científica Aging, e reforçam o potencial do chocolate amargo como aliado da saúde quando consumido de forma consciente. No entanto, os próprios autores do estudo fazem um alerta importante: os benefícios não significam liberação para o consumo excessivo do doce.
Cientistas analisam substâncias no sangue de voluntários
Segundo os pesquisadores, a ingestão de chocolate amargo deve ser moderada e inserida em uma alimentação equilibrada, acompanhada de hábitos saudáveis, para que os efeitos positivos realmente possam ser observados. O estudo abre caminho para novas investigações sobre o papel da teobromina e de outros compostos do cacau na longevidade e no bem-estar.
“Nosso estudo encontrou ligações entre um componente chave do chocolate amargo e a manutenção de uma aparência jovem por mais tempo. Embora não estejamos dizendo que as pessoas devam comer mais chocolate amargo, esta pesquisa pode nos ajudar a entender como os alimentos do dia a dia podem conter pistas para vidas mais saudáveis e longas”, explica a coautora do artigo, Jordana Bell, em comunicado.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram amostras de sangue de 1.669 participantes, obtidas a partir de dois bancos de dados independentes. O objetivo foi medir a concentração de diferentes substâncias presentes no organismo, entre elas cafeína e teobromina, compostos comuns no chocolate e no café.
Na etapa seguinte, os cientistas avaliaram indicadores químicos associados ao envelhecimento, com base na metilação do DNA. Entre os parâmetros analisados estava a estimativa do comprimento dos telômeros, estruturas localizadas nas extremidades dos cromossomos e consideradas fundamentais para indicar a velocidade com que o corpo envelhece em nível celular.
Apenas a teobromina apresentou resultado relevante
A análise revelou uma associação consistente entre níveis elevados de teobromina e um envelhecimento biológico mais lento. Diferente da idade cronológica, que se baseia apenas no tempo de vida, a idade biológica reflete o estado real do organismo, considerando o desgaste acumulado em células e tecidos ao longo dos anos.
Embora outros compostos presentes no chocolate e no café também tenham sido examinados, somente a teobromina apresentou uma relação significativa com os indicadores de juventude biológica. Os pesquisadores ainda não conseguiram determinar com precisão o mecanismo de ação do composto, mas os dados fornecem novos caminhos para pesquisas futuras sobre seus efeitos no organismo.
Para o biólogo molecular Ricardo Costeira, coautor do estudo, os achados reforçam a importância de análises em larga escala. “Embora sejam necessárias mais pesquisas, as descobertas deste estudo destacam o valor das análises em nível populacional no envelhecimento e na genética”, exalta o biólogo molecular e coautor do artigo destacou.
Leia mais: