Trump publicou uma mensagem em rede social afirmando que os EUA estão “carregados e prontos para partir” caso manifestantes pacíficos sejam atacados

Protesto no Irã (Reprodução/Redes Sociais)
Protesto no Irã (Reprodução/Redes Sociais)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra o Irã em meio à escalada de protestos populares no país, motivados pelo agravamento da crise econômica. As manifestações, que já duram quase uma semana, têm sido reprimidas com violência pelas forças de segurança iranianas e resultaram em mortes, feridos e prisões, segundo relatos divergentes entre autoridades locais e a imprensa internacional.

Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que os Estados Unidos estaria “preparado para agir”, em uma mensagem interpretada como ameaça direta de intervenção, o que provocou reação imediata do governo iraniano. “Se o Irã “atirar e matar manifestantes pacíficos”, os Estados Unidos “irão ao socorro deles”. “Estamos armados e prontos para agir”, escreveu.

Os protestos têm como pano de fundo a alta do custo de vida, com inflação acima de 40%, além de dificuldades no acesso a serviços básicos como energia elétrica e abastecimento de água. Apesar de reconhecer prisões, o governo iraniano minimiza o número de mortes, enquanto a polícia afirma que não permitirá atos de vandalismo ou desordem.

Pelo menos dez pessoas perderam a vida em meio ao agravamento da repressão a protestos que tomam conta do Irã, já no sexto dia consecutivo de manifestações motivadas pela deterioração das condições econômicas

EUA já haviam atuado contra o Irã rm junho de 2025

Os Estados Unidos já haviam ampliado sua atuação contra o regime iraniano em junho, quando participaram de ataques a instalações nucleares do país, somando-se à ofensiva aérea conduzida por Israel contra alvos estratégicos ligados ao programa atômico e à cúpula militar de Teerã. A ação marcou um novo patamar de envolvimento direto de Washington no conflito.

Relatos indicam que as vítimas dos confrontos recentes são oriundas de quatro cidades com predominância da etnia lur, grupo que habita regiões do oeste do Irã. As mortes e prisões aumentaram a pressão internacional sobre o governo iraniano, que tenta minimizar os números enquanto reforça o controle das forças de segurança.

A resposta de Teerã veio por meio de Ali Larijani, uma das principais figuras políticas do país. O dirigente advertiu que qualquer interferência dos Estados Unidos em assuntos internos iranianos poderá provocar uma desestabilização em larga escala no Oriente Médio. Ele lembrou que o Irã mantém influência e apoio a grupos armados em países como Líbano, Iraque e Iêmen, o que amplia o risco de um conflito regional.

Irã enfrenta maior onda de protestos desde 2022

O Irã vive a maior onda de protestos dos últimos três anos, em meio ao agravamento da crise econômica e ao aumento da insatisfação popular. Embora manifestações e atos de contestação não sejam incomuns no país, especialistas avaliam que o atual cenário torna o governo mais exposto e vulnerável, diante do impacto direto da inflação, do desemprego e da escassez de serviços básicos na rotina da população.

As mobilizações recentes são as mais intensas desde o fim de 2022, quando a morte de Jina Mahsa Amini, enquanto estava sob custódia policial, desencadeou protestos em escala nacional. Naquele período, organizações de direitos humanos denunciaram centenas de mortes e prisões, enquanto as autoridades adotaram uma política de repressão severa para conter os atos.

Imagens confirmadas por agências internacionais mostram manifestantes reunidos durante a noite diante de uma delegacia incendiada, em um cenário de forte tensão. Durante a gravação, é possível ouvir disparos esporádicos e gritos de protesto direcionados às forças de segurança, evidenciando o clima de confronto entre população e autoridades.

Entidades independentes de monitoramento afirmam que dezenas de pessoas foram detidas em diferentes regiões do país. A televisão estatal também reconheceu prisões em cidades como Kermanshah, onde autoridades acusam manifestantes de produzir artefatos incendiários e armas improvisadas. As informações, no entanto, variam conforme a fonte oficial ou independente.

As mortes confirmadas ocorreram em municípios do interior, como Lordegan e Kuhdasht, segundo veículos ligados ao governo. Já organizações de direitos humanos relatam ao menos outra vítima fatal na província de Fars, embora o caso tenha sido negado pela imprensa estatal. A divergência nos dados reforça as dificuldades de acesso a informações independentes em meio ao endurecimento da repressão.

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