O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado (03) que o governo norte-americano não pagará a recompensa de US$ 50 milhões anunciada anteriormente.

Foto: Shealah Craighead / Official White House
Foto: Shealah Craighead / Official White House

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado (03) que o governo norte-americano não pagará a recompensa de US$ 50 milhões anunciada anteriormente pela captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Segundo Trump, o valor não será repassado a ninguém após a operação militar que resultou na detenção do líder venezuelano em Caracas.

A declaração foi feita durante conversa com jornalistas na residência de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida, após a confirmação da captura de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. O presidente interrompeu uma fala do secretário de Estado, Marco Rubio, para reforçar que a recompensa não será concedida.

“Não deixem ninguém reivindicar isso. Ninguém merece isso além de nós”, afirmou Trump, em referência às forças militares e de inteligência dos Estados Unidos responsáveis pela operação.

Recompensa anunciada em 2020

A recompensa havia sido anunciada em 2020 pelo Departamento de Justiça dos EUA, no contexto de acusações contra Maduro. Ao comentar o assunto, Rubio afirmou que o governo economizaria o valor. Trump concordou e reiterou que o pagamento não será feito.

Operação militar na Venezuela

Mais cedo, Trump anunciou em sua rede social Truth Social que os Estados Unidos realizaram uma operação militar de grande escala na Venezuela, resultando na captura de Maduro e de Cilia Flores. O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que a ordem foi dada por Trump na noite de sexta-feira (2).

A ação ocorreu na madrugada deste sábado e incluiu ataques a quatro alvos estratégicos no país, com a participação de cerca de 150 caças e bombardeios. Segundo autoridades norte-americanas, os ataques neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.

Helicópteros militares transportaram tropas até Caracas para efetuar a prisão de Maduro. A missão durou aproximadamente duas horas e vinte minutos. Um oficial dos EUA informou que não houve baixas entre os militares americanos, mas não comentou sobre possíveis mortes de venezuelanos.

Autoridades da Venezuela afirmaram que civis morreram durante a operação, sem divulgar números oficiais até a última atualização.

Questionamentos legais e reação da Venezuela

A operação gerou questionamentos sobre a legalidade da ação, já que não houve autorização prévia do Conselho de Segurança da ONU nem aprovação do Congresso dos Estados Unidos. Trump afirmou que a aprovação internacional seria desnecessária. Marco Rubio declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.

No início da tarde, Trump disse que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração da Venezuela até a definição de uma transição política. Ele não detalhou como isso ocorreria, mas mencionou planos relacionados à exploração e venda do petróleo venezuelano.

Pela Constituição do país, o comando deveria ser exercido pela vice-presidente Delcy Rodríguez. Trump afirmou que Rubio conversou com ela e que houve sinalização de cooperação.

Em pronunciamento no fim da tarde, Delcy Rodríguez contestou as declarações do presidente americano, classificou a operação como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país. Ela declarou ainda que a Venezuela aceita manter diálogo com os EUA, desde que baseado no direito internacional.

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