A sessão foi conduzida pelo juiz distrital Alvin Hellerstein, de 92 anos, e contou com forte esquema de segurança
Começou nesta segunda-feira (5) o processo contra Nicolás Maduro e sua esposa em um tribunal federal de Nova York, Estados Unidos. Durante a audiência de custória, comandada pelo juiz distrital Alvin Hellerstein, de 92 anos, Maduro se declarou inocente. Na sequência, ele foi levado para uma prisão no bairro do Brooklyn.
“Eu sou inocente. Eu sou um homem decente. Eu sou um presidente”, declarou Maduro, que disse ainda ser presidente da Venezuela.
Maduro compareceu à audiência algemado e sob forte esquema de segurança, acompanhado da esposa, Cilia Flores, que também será processada. O casal é acusado por crimes relacionados ao narcotráfico e outras denúncias já presentes em um processo de longa duração.
Nicolás Maduro acusa os EUA de ‘inventar guerra’ após envio de porta-aviões
Audiência de Nicolás Maduro
Logo no início da sessão, o juiz distrital Alvin Hellerstein interveio para esclarecer que a declaração formal de inocência seria registrada em nome de Maduro. O advogado Marc Pollack confirmou que o presidente se declarou inocente das quatro acusações apresentadas pela promotoria. Mesmo assim, Maduro insistiu em se manifestar diretamente, afirmando ao juiz que não reconhece culpa em nenhuma das denúncias.
Durante a audiência, Hellerstein solicitou que Cilia Flores se levantasse para confirmar sua identidade. Ela se apresentou como primeira-dama da Venezuela, afirmou ter discutido o caso com seu advogado e optou por dispensar a leitura formal da acusação, declarando-se totalmente inocente.
O juiz também informou ao casal sobre o direito de contato com o consulado venezuelano, pedido prontamente por ambos. Ao longo da sessão, Maduro pediu autorização para manter suas anotações, feitas enquanto acompanhava o processo por meio de um tradutor, solicitação que foi registrada em ata.
Vestindo uniformes de presidiário, Maduro e Flores permaneceram sentados próximos durante toda a audiência. A defesa informou que nenhum dos dois solicitou liberdade sob fiança neste momento, mas que o pedido poderá ser apresentado futuramente.
O que disse a defesa de Maduro
Os advogados destacaram pontos sensíveis do caso, como a alegação de que Maduro é chefe de um Estado soberano, o que, segundo a defesa, garantiria imunidade e prerrogativas diplomáticas. Também foram levantadas questões sobre a legalidade da captura e problemas de saúde envolvendo o presidente venezuelano. No caso de Cilia Flores, a defesa mencionou possíveis ferimentos físicos, que devem passar por avaliação médica.
A audiência foi encerrada após cerca de 20 minutos. Antes de deixar o tribunal, Maduro cumprimentou seu advogado e entregou suas anotações a um agente federal que o escoltou para fora. Após se declarar inocente em audiência, Maduro é transferido para presídio.
A próxima audiência está marcada para o dia 17 de março, às 11h (horário local).
Prisão onde Nicolás Maduro está preso
Considerada por advogados norte-americanos como uma das prisões mais severas dos Estados Unidos, a unidade penitenciária localizada no Brooklyn, em Nova York, é o local onde está detido o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O complexo já foi descrito por profissionais do Direito como um verdadeiro “inferno na Terra”, e há registros de juízes que evitaram enviar condenados para o local devido às condições rigorosas.
Maduro chegou à prisão após uma operação militar inédita envolvendo forças dos Estados Unidos, realizada no último sábado (3), em Caracas, capital venezuelana. Poucas horas após a captura, ele foi transportado por via aérea até o navio militar USS Iwo Jima. Em seguida, passou pela Base Naval de Guantánamo, em Cuba, antes de ser levado em outro avião para Nova York, onde permanece sob custódia.
A transferência em múltiplas etapas e o local da detenção chamaram a atenção da comunidade internacional, reforçando a dimensão política e diplomática do caso. O episódio é tratado como um dos mais impactantes da história recente da América Latina, com reflexos diretos nas relações entre Venezuela e Estados Unidos.
Leia mais:
