A escalada da crise entre Estados Unidos e Venezuela acendeu um sinal de alerta no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente pelos possíveis reflexos do conflito no ambiente político brasileiro às vésperas das eleições de 2026.
A escalada da crise entre Estados Unidos e Venezuela acendeu um sinal de alerta no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente pelos possíveis reflexos do conflito no ambiente político brasileiro às vésperas das eleições de 2026.
Antes mesmo da operação militar norte-americana que resultou na retirada de Nicolás Maduro do poder, integrantes do Palácio do Planalto já discutiam internamente os impactos de uma ofensiva dos EUA sobre a estabilidade regional e o debate político no Brasil. A avaliação era de que um conflito armado poderia influenciar discursos eleitorais, ampliar a polarização e reacender temas sensíveis da política externa no cenário doméstico.
Durante a 67ª Cúpula do Mercosul, realizada em dezembro, Lula havia demonstrado preocupação com a possibilidade de uma intervenção militar na Venezuela. Na ocasião, o presidente brasileiro classificou esse tipo de ação como “uma catástrofe humanitária para o hemisfério” e alertou que o episódio poderia abrir um precedente perigoso no cenário internacional.
Instrumento político?
Segundo interlocutores do governo, a ofensiva dos Estados Unidos reforçou o receio de que a crise venezuelana seja usada como instrumento político por diferentes grupos no Brasil, especialmente em um ano pré-eleitoral. O Planalto avalia que o tema pode ser explorado tanto por setores alinhados à política externa americana quanto por alas que defendem uma postura mais crítica à atuação dos EUA na América Latina.
A preocupação do governo brasileiro também envolve possíveis impactos econômicos e migratórios decorrentes da instabilidade na Venezuela, além do efeito simbólico de uma mudança de poder promovida por uma intervenção estrangeira. Para o Planalto, o episódio pode influenciar debates sobre soberania, democracia e relações internacionais no contexto da disputa presidencial de 2026.
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