A possibilidade de existência de vida fora da Terra continua sendo uma das maiores questões da ciência.
A possibilidade de existência de vida fora da Terra continua sendo uma das maiores questões da ciência. Um dos principais alvos dessa busca é Europa, lua de Júpiter considerada há décadas um dos ambientes mais promissores do sistema solar. No entanto, um novo estudo da Universidade de Washington indica que o satélite pode não reunir tantas condições favoráveis quanto se acreditava.
A pesquisa foi publicada na revista científica Nature Communications e analisou a estrutura interna da lua, especialmente o potencial de seu oceano subterrâneo para sustentar processos associados ao surgimento da vida.
Oceano existe, mas pode ser limitado
Europa desperta o interesse dos cientistas por abrigar um vasto oceano de água líquida sob uma espessa camada de gelo. Na Terra, ambientes semelhantes são ricos em vida graças à interação entre água, rochas e atividade geológica no fundo dos oceanos.
O estudo avaliou se esse tipo de dinâmica também ocorreria em Europa. Para isso, os pesquisadores modelaram as condições do fundo oceânico da lua, focando em possíveis atividades tectônicas e vulcânicas – processos que, no planeta Terra, favorecem a circulação de nutrientes e reações químicas essenciais à vida.
Os resultados indicam que o fundo oceânico rochoso de Europa é mecanicamente resistente demais para permitir esse tipo de atividade em larga escala.
Reações químicas restritas
Segundo os autores, as interações entre água e rocha no oceano de Europa provavelmente ocorrem apenas nas camadas mais superficiais do fundo marinho, limitadas a algumas centenas de metros.
“As reações água-rocha oceânicas que ocorrem atualmente devem se restringir ao fluxo de fluidos nas primeiras camadas do fundo oceânico”, aponta o estudo. Com isso, os processos que poderiam sustentar condições habitáveis não dependeriam de atividade tectônica contínua, como ocorre na Terra.
Europa segue como candidata
Apesar das conclusões mais cautelosas, os pesquisadores destacam que a lua continua sendo um dos melhores locais para a busca por vida fora da Terra. Para o cientista Christian Klimczak, coautor do estudo, cada corpo celeste apresenta características próprias.
“Embora a geologia funcione de forma semelhante em todo o sistema solar, cada planeta ou lua possui processos únicos. Dado o que sabemos sobre Europa, ela ainda é o melhor lugar para procurar vida extraterrestre”, afirmou.
Byrne reforça que três fatores são considerados fundamentais para a existência de vida: água líquida, compostos químicos orgânicos e uma fonte de energia. Segundo ele, Europa atende a esses critérios.
“O oceano subterrâneo satisfaz o primeiro requisito. Já identificamos substâncias químicas orgânicas na camada de gelo, e é possível que elas também existam no oceano. Além disso, a órbita da lua faz com que Júpiter provoque aquecimento por maré em seu interior, fornecendo energia”, explicou.
Próximos passos
Os cientistas destacam que futuras missões espaciais, como as que devem explorar Europa nas próximas décadas, serão essenciais para confirmar as condições reais do oceano subterrâneo e avaliar com mais precisão seu potencial para abrigar vida.
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