A saída de Gabigol para o Santos voltou a colocar em pauta a relação conturbada com Tite. Durante sua apresentação no Cruzeiro, o treinador comentou o empréstimo do atacante e adotou tom conciliador, embora o histórico de desavenças entre ambos ainda pese nos bastidores.
A ida de Gabigol ao Santos, por empréstimo em 2026, voltou a expor uma relação marcada por ruídos com Tite. Durante sua apresentação oficial como técnico do Cruzeiro, nesta quarta-feira, o treinador foi questionado sobre o atacante e tratou o tema de forma direta, buscando virar a página de um histórico turbulento.
Sem entrar em polêmicas, Tite desejou sucesso ao jogador no novo clube, mas deixou claro que o foco, neste momento, está no trabalho à frente da equipe mineira. “A gente olha para frente. Desejo sucesso a ele, que seja feliz e possa voltar e dar ao Cruzeiro, no momento que for conveniente, a melhor situação possível. Eu quero focar no meu trabalho”, afirmou.
Gabriel Barbosa foi emprestado por uma temporada ao Santos após perder espaço no ataque cruzeirense. Na apresentação pelo clube do litoral paulista, o próprio jogador confirmou que pediu para ser negociado, buscando mais minutos em campo e um ambiente diferente para retomar o protagonismo.
A relação entre Gabigol e Tite, no entanto, já vinha desgastada bem antes da passagem pelo Cruzeiro. O atrito começou ainda na Seleção Brasileira, onde o atacante teve poucas oportunidades e ficou fora da lista para a Copa do Mundo de 2022, decisão que gerou incômodo público por parte do jogador.
O clima se agravou no Flamengo, entre 2023 e 2024, quando Tite assumiu o comando da equipe. Apesar de declarações públicas de respeito, Gabigol teve participação limitada: disputou 37 partidas, a maioria saindo do banco de reservas, e marcou apenas quatro gols no período, convivendo com a frustração por não ser utilizado de forma regular.
Momentos de tensão
Em entrevistas e conteúdos pessoais, o atacante já relatou o impacto do período sob o comando do treinador. Em sua série “Até o Fim”, no YouTube, falou sobre dificuldades no dia a dia e a sensação de não conseguir render dentro de um contexto no qual não se sentia valorizado.
O tema também apareceu nos bastidores do Cruzeiro antes mesmo do empréstimo ao Santos. Durante a apresentação de Gabigol, o dono da SAF, Pedro Lourenço, revelou, em tom de brincadeira, que o jogador havia feito uma ressalva sobre trabalhar novamente com determinado treinador. “Se fosse para vir um técnico aí, ele não viria”, disse. Gabigol confirmou: “É verdade! Agora vocês sabem”.
Apesar do histórico, o atacante já sinalizou publicamente que não guarda ressentimentos. Em entrevista recente, afirmou: “Eu não tenho nada contra ele. Eu dei minha opinião, como ele deve ter a dele. Respeito ele como respeito todos os meus treinadores”. Ainda assim, a fala de Tite e a saída para o Santos mostram que a relação, embora cordial, segue marcada por episódios difíceis de apagar.
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