O governo interino da Venezuela anunciou a libertação de um número ainda não divulgado de presos políticos, incluindo venezuelanos e estrangeiros. A decisão foi apresentada como um gesto unilateral para promover a convivência pacífica no país e contou com agradecimentos ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, além do ex-presidente espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e do governo do Catar.
O governo da Venezuela, atualmente comandado de forma interina pela vice-presidente Delcy Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (8) a libertação de presos políticos. O comunicado foi feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, durante um discurso oficial, no qual afirmou que a decisão tem como objetivo “consolidar a paz” e fortalecer a “convivência pacífica” no país.
Segundo Jorge Rodríguez, que também é irmão da presidente interina, a medida contempla prisioneiros venezuelanos e estrangeiros. Até o momento, Caracas não informou quantas pessoas serão beneficiadas, limitando-se a afirmar que se trata de um “número importante” de detidos.
Gesto unilateral e agradecimento a Lula
De acordo com o presidente da Assembleia Nacional, a libertação dos presos políticos é um gesto unilateral do governo venezuelano, sem qualquer tipo de negociação com outros atores políticos. A declaração faz referência indireta aos Estados Unidos, que recentemente capturaram o presidente Nicolás Maduro após um ataque ao país.
Apesar de classificar a decisão como unilateral, Jorge Rodríguez fez questão de agradecer publicamente o envolvimento do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, do ex-presidente da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero e do governo do Catar, citando a atuação desses interlocutores na mediação e no diálogo com a Venezuela ao longo dos últimos anos.
Contexto político e aproximação internacional
O anúncio ocorre poucos dias após a captura de Nicolás Maduro, em meio a uma ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela. Desde então, o governo interino tem adotado medidas consideradas sinais de abertura e aproximação com a comunidade internacional, especialmente com Washington.
Além da libertação de presos políticos, Delcy Rodríguez já demonstrou disposição para cooperar com os Estados Unidos, após declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre a possibilidade de os EUA governarem o país durante um período de transição.
Outra medida anunciada recentemente foi pela Petróleos de Venezuela (PDVSA), estatal do setor petrolífero, que informou o início de negociações para a venda de petróleo cru venezuelano aos Estados Unidos, ação que também sinaliza uma mudança na postura do país após a queda do líder chavista.
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