O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos foi alvo de críticas após publicar, no sábado (10), uma mensagem nas redes sociais considerada semelhante a um lema nazista. A postagem trazia a frase: “Uma pátria. Um povo. Uma herança. Lembre-se de quem você é, americano”, acompanhada de um vídeo com imagens de guerras envolvendo os EUA e uma estátua que remete a George Washington, primeiro presidente do país.

Postagem do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos gerou críticas ao ser comparada a slogan do regime nazista durante o governo Trump. Foto: Official White House Photo by Daniel Torok.
Postagem do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos gerou críticas ao ser comparada a slogan do regime nazista durante o governo Trump. Foto: Official White House Photo by Daniel Torok.

O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos foi alvo de críticas após publicar, no sábado (10), uma mensagem nas redes sociais considerada semelhante a um lema nazista. A postagem trazia a frase: “Uma pátria. Um povo. Uma herança. Lembre-se de quem você é, americano”, acompanhada de um vídeo com imagens de guerras envolvendo os EUA e uma estátua que remete a George Washington, primeiro presidente do país.

A publicação rapidamente ganhou repercussão negativa entre internautas, historiadores e entidades que monitoram discursos extremistas.

Usuários apontaram semelhança direta com o lema nazista “Ein Volk, ein Reich, ein Führer” (“Um povo, um reino, um líder”), amplamente utilizado pelo regime de Adolf Hitler como ferramenta de propaganda nacionalista e supremacista.

“Essa frase foi usada para justificar perseguições e mortes em massa. Não é uma escolha inocente”, escreveu um internauta. Outro afirmou que os Estados Unidos são formados por múltiplas origens e heranças, e não por uma identidade única.

Críticas ao tom ideológico do governo

A postagem é vista como parte de uma mudança no comportamento institucional de órgãos federais durante o governo Trump. Agências que tradicionalmente mantinham uma comunicação mais neutra passaram a adotar linguagem mais ideológica, com símbolos e mensagens frequentemente associadas ao nacionalismo extremo e ao discurso anti-imigração.

Especialistas alertam que esse tipo de comunicação pode reforçar divisões sociais e legitimar narrativas excludentes.

Uso de símbolos apropriados pela extrema direita

Dias antes da polêmica, o mesmo perfil publicou uma imagem da bandeira Betsy Ross — símbolo histórico dos EUA que, nos últimos anos, passou a ser apropriado por grupos nacionalistas brancos. A legenda dizia: “O patriotismo prevalecerá. América em primeiro lugar. Sempre.”

Organizações de direitos civis afirmam que o uso recorrente desses símbolos não pode ser tratado como coincidência.

Outros órgãos federais também foram citados em episódios semelhantes. O Departamento de Segurança Nacional e o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) publicaram campanhas de recrutamento com mensagens consideradas alarmistas, associando imigração à criminalidade e à “decadência cultural”.

A Liga Antidifamação condenou o conteúdo e apontou referências a autores e discursos ligados ao supremacismo branco.

Resposta oficial minimiza acusações

Questionado sobre as críticas, um porta-voz do Departamento do Trabalho afirmou que “classificar tudo o que desagrada como propaganda nazista é cansativo”, sem comentar diretamente a semelhança histórica apontada por especialistas.

Relatórios de organizações independentes, no entanto, indicam que slogans e imagens utilizados por agências federais foram retirados de sites ligados a grupos extremistas, reforçando as preocupações sobre o tom adotado pelo governo.

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