A investigação, divulgada pela American Academy of Sleep Medicine, acompanhou por mais de uma década 270 participantes cujas noites de descanso foram monitoradas

Dormindo (Reprodução/Freepik)
Dormindo (Reprodução/Freepik)

Dormir mal pode ter impactos diretos na saúde do cérebro e aumentar as chances de desenvolvimento do Alzheimer. Um estudo conduzido por pesquisadores nos Estados Unidos apontou que a falta de sono adequado, especialmente a redução do sono profundo, está relacionada à perda de volume cerebral e a um maior risco de demência.

De acordo com a pesquisa, a dificuldade em atingir a fase REM, período ligado aos sonhos e à recuperação mental, favorece a atrofia de áreas como o hipocampo e regiões entorrinal e parietal inferior. Essas estruturas são consideradas altamente sensíveis ao Alzheimer, pois o acúmulo de proteínas tóxicas nesses locais acelera o avanço da doença.

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“Nossos resultados fornecem evidências preliminares de que a redução da neuroatividade durante o sono pode contribuir para a atrofia cerebral, aumentando potencialmente o risco de Alzheimer”, disse o neurocientista Gawon Cho, da Universidade de Yale, nos EUA, autor principal da investigação.

Pesquisa acompanhou voluntários por mais de uma década

Divulgada em junho pela American Academy of Sleep Medicine, a pesquisa analisou dados de 270 participantes, que tiveram seus padrões de sono acompanhados de forma detalhada.

Ao longo de 13 anos, os voluntários passaram por avaliações periódicas para medir possíveis alterações na saúde do cérebro. Os pesquisadores, no entanto, destacaram uma ressalva importante: o grupo estudado era formado exclusivamente por pessoas brancas e, em sua maioria, com alto nível de escolaridade, acima de 16 anos de ensino formal.

Esse perfil pode influenciar os resultados relacionados ao desempenho da memória e limitar a generalização das conclusões.

Redução do sono está ligada à diminuição do volume cerebral

A análise revelou que o sono de ondas lentas correspondeu, em média, a 17,4% do período total de descanso, enquanto a fase REM representou cerca de 21,5% do tempo dormido. Os pesquisadores observaram que participantes com menor proporção de sono profundo apresentaram redução significativa do volume cerebral.

O grupo com menos ondas lentas foi associado a volumes menores do cérebro, e foi identificada uma atrofia média de 44,18 milímetros cúbicos na região parietal inferior.

Quando a redução ocorreu na fase REM, o impacto foi ainda mais expressivo: a mesma área do cérebro registrou uma perda aproximada de 75,4 milímetros cúbicos para cada ponto percentual a menos desse estágio do sono.

Por outro lado, a frequência de despertares noturnos não demonstrou relação direta com alterações nas regiões cerebrais mais suscetíveis ao Alzheimer. Além disso, nenhuma das variáveis analisadas mostrou associação com micro-hemorragias cerebrais ou lobares entre os voluntários.

Os autores do estudo ressaltam que, da mesma forma que a insônia pode elevar o risco de desenvolvimento do Alzheimer, a adoção de hábitos saudáveis de sono tende a exercer um efeito protetor.

Medidas simples, como manter horários regulares para dormir, controlar a temperatura do ambiente, reduzir o uso de telas e evitar bebidas estimulantes antes de deitar, podem contribuir significativamente para a saúde do cérebro.

“O repouso pode ser um fator de risco modificável para o Alzheimer e demências relacionadas, o que representa uma oportunidade para explorar intervenções que reduzam o risco ou retardem o início da doença”, conclui Cho.

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