Cabecear a bola faz parte da essência do futebol e costuma ser decisivo dentro de campo. No entanto, um volume crescente de pesquisas científicas aponta que impactos repetidos na cabeça, mesmo sem concussões aparentes, podem causar danos cerebrais que só se manifestam décadas depois.
Cabecear a bola faz parte da essência do futebol e costuma ser decisivo dentro de campo. No entanto, um volume crescente de pesquisas científicas aponta que impactos repetidos na cabeça, mesmo sem concussões aparentes, podem causar danos cerebrais que só se manifestam décadas depois.
A relação entre esportes de contato e problemas neurológicos não é recente. Desde o início do século 20, médicos já observavam sintomas como confusão mental, dificuldades motoras e demência em boxeadores profissionais. Hoje, sabe-se que condições semelhantes também atingem atletas do futebol, futebol americano, rugby e hóquei.
Casos emblemáticos ajudaram a ampliar o debate. O ex-jogador inglês Jeff Astle, campeão pela seleção da Inglaterra, morreu aos 59 anos com demência precoce. Nos Estados Unidos, o ex-jogador de futebol americano Mike Webster apresentou declínio cognitivo severo antes de morrer aos 50 anos. Ambos tiveram diagnóstico de encefalopatia traumática crônica (ETC), doença associada a pancadas repetidas na cabeça.
Segundo especialistas, a ETC é marcada pelo acúmulo anormal da proteína tau no cérebro, o que compromete o funcionamento dos neurônios. Embora o diagnóstico definitivo só possa ser feito após a morte, estudos indicam que atletas profissionais apresentam risco significativamente maior de desenvolver doenças neurodegenerativas.
Uma pesquisa com ex-jogadores de futebol escoceses mostrou que eles têm cinco vezes mais chance de desenvolver Alzheimer, além de maior risco de Parkinson e doenças do neurônio motor. O perigo é ainda maior em posições que exigem mais cabeceios, como defensores. Goleiros, por outro lado, apresentam índices semelhantes aos da população em geral.
Pesquisas com exames de imagem também revelaram alterações cerebrais em jogadores amadores jovens que cabeceiam a bola com frequência. As lesões aparecem principalmente no córtex orbitofrontal, região associada à memória, tomada de decisões e aprendizado. O impacto faz com que o cérebro se mova dentro do crânio, esticando fibras nervosas delicadas e prejudicando a comunicação entre neurônios.
Caminhos para prevenção
Diante das evidências, medidas preventivas vêm sendo adotadas. No Reino Unido, o cabeceio foi proibido nas categorias de base, e especialistas defendem a redução drástica dessa prática nos treinos, onde ocorre a maior parte dos impactos ao longo da carreira.
Tecnologias de proteção, como capacetes com absorção de impacto, também estão em desenvolvimento, especialmente no futebol americano. Ainda assim, pesquisadores reforçam que diminuir a exposição a pancadas na cabeça continua sendo a forma mais eficaz de reduzir riscos a longo prazo.
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