A repressão das forças de segurança do Irã aos protestos que se espalharam pelo país já deixou centenas de mortos, segundo organizações de direitos humanos.

O fisiculturista Mehdi Zatparvar (esquerda), a estudante de design têxtil e de moda Rubina Aminian (centro) e o atleta juvenil Rebin Moradi (direita) estão entre as vítimas da repressão aos protestos no Irã. (Reprodução)
O fisiculturista Mehdi Zatparvar (esquerda), a estudante de design têxtil e de moda Rubina Aminian (centro) e o atleta juvenil Rebin Moradi (direita) estão entre as vítimas da repressão aos protestos no Irã. (Reprodução)

A repressão das forças de segurança do Irã aos protestos que se espalharam pelo país já deixou centenas de mortos, segundo organizações de direitos humanos. Entre as vítimas estão jovens de diferentes perfis e regiões, como um ex-campeão de fisiculturismo, uma estudante de moda e um jogador de futebol das categorias de base. Nove das 648 mortes já identificadas oficialmente teriam atingido menores de idade.

Dados reunidos por entidades independentes indicam que a maioria das vítimas fatais é composta por homens jovens, embora mulheres também estejam entre os mortos. O diretor da organização Iran Human Rights, Mamood Amiry Moghaddam, afirmou que os assassinatos ocorreram em diversas partes do país onde houve manifestações, inicialmente motivadas por queixas econômicas e que depois ganharam contornos políticos.

Mortes confirmadas por grupos de direitos humanos

Entre os casos documentados está o de Mehdi Zatparvar, de 39 anos, natural de Rasht, na província de Gilan. Ex-campeão de fisiculturismo e treinador, ele tinha mestrado em fisiologia do esporte e acumulava títulos nacionais e internacionais de levantamento de peso e powerlifting entre 2011 e 2014. Segundo a ONG Hengaw, Zatparvar foi baleado e morto durante os protestos.

Outro caso é o de Rubina Aminian, de 23 anos, estudante de design têxtil e de moda na Faculdade Shariati, em Teerã, instituição voltada exclusivamente para mulheres. Considerada uma estilista promissora, ela se inspirava na diversidade étnica do Irã, especialmente nas culturas curda e da região do Sistão-Baluchistão. De acordo com a Iran Human Rights, Rubina foi atingida por um tiro pelas costas, à queima-roupa, na primeira noite de protestos em massa, em 8 de janeiro.

Famílias relatam restrições e silêncio forçado

Relatos indicam que familiares de Rubina viajaram para identificar o corpo e encontraram dezenas de cadáveres de jovens mortos durante as manifestações. Após conseguirem recuperar o corpo, os parentes teriam sido impedidos de realizar cerimônias públicas de luto e obrigados a enterrá-la de forma discreta.

Também foi confirmada a morte de Erfan Faraji, que havia completado 18 anos uma semana antes de ser baleado durante protestos em 7 de janeiro, nos arredores de Teerã. Segundo a Hengaw, o corpo do jovem foi identificado no necrotério de Kahrizak, local que chamou atenção internacional após imagens mostrarem sacos com dezenas de cadáveres. A família realizou o sepultamento sem qualquer anúncio público.

Adolescente do futebol juvenil entre as vítimas

Entre os menores mortos está Rebin Moradi, de 17 anos, estudante curdo e jogador das categorias de base do Saipa Club, integrante da principal liga juvenil de futebol de Teerã. Considerado um talento promissor, ele foi morto a tiros durante os protestos, de acordo com informações verificadas pela Hengaw. Até o último relato, a família ainda aguardava autorização para retirar o corpo.

Governo iraniano contesta versões

Autoridades iranianas afirmam que dezenas de integrantes das forças de segurança também morreram nos confrontos e responsabilizam manifestantes violentos e supostos inimigos externos pela escalada da violência. Grupos de direitos humanos, no entanto, alertam que o número real de vítimas pode ser muito maior do que o oficialmente reconhecido e denunciam o uso excessivo da força contra civis.

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