Um estudo publicado na última quarta-feira (14) na revista científica Frontiers in Ecology and Evolution indica que o avanço do desmatamento tem levado os mosquitos a picar seres humanos com maior frequência.

Os dados mostram que, à medida que a biodiversidade diminui, espécies que antes se alimentavam de diferentes animais passam a recorrer cada vez mais ao sangue humano como principal fonte de alimento.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O estudo comparou populações de mosquitos em áreas preservadas e fragmentadas do bioma Mata Atlântica.

Foto: Freepik.
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Um estudo publicado na última quarta-feira (14) na revista científica Frontiers in Ecology and Evolution indica que o avanço do desmatamento tem levado os mosquitos a picar seres humanos com maior frequência.

Os dados mostram que, à medida que a biodiversidade diminui, espécies que antes se alimentavam de diferentes animais passam a recorrer cada vez mais ao sangue humano como principal fonte de alimento.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O estudo comparou populações de mosquitos em áreas preservadas e fragmentadas do bioma Mata Atlântica.

Segundo os pesquisadores, a presença humana crescente em regiões antes florestais altera a dinâmica natural desses insetos, com impactos diretos na saúde pública.

“Mostramos que as espécies de mosquitos capturadas em remanescentes da Mata Atlântica têm uma clara preferência por se alimentar de humanos”, afirmou o biólogo Jerónimo Alencar, do IOC/Fiocruz, em comunicado.

De acordo com o especialista, o fenômeno chama atenção por ocorrer mesmo em ambientes que ainda concentram uma grande diversidade de animais, que poderiam servir como fonte alternativa de alimento.

Preferência por sangue humano

Para identificar a origem do sangue ingerido pelos mosquitos, os cientistas instalaram armadilhas luminosas em duas reservas naturais do estado do Rio de Janeiro: a Reserva Sítio Recanto e a Reserva Ecológica do Rio Guapiaçu.

Ao todo, foram coletados 1.714 mosquitos, pertencentes a 52 espécies diferentes. Entre eles, 145 fêmeas apresentavam sinais de alimentação recente. A análise genética permitiu identificar a origem do sangue em 24 indivíduos.

Dessas amostras, 18 tiveram origem humana. As demais refeições vieram de aves, um anfíbio, um roedor e um canídeo.

Os pesquisadores também identificaram casos de alimentação mista. Um mosquito da espécie Cq. venezuelensis havia se alimentado tanto de um anfíbio quanto de um humano. Já exemplares de Cq. fasciolata apresentaram combinações envolvendo aves, roedores e pessoas.

“O comportamento dos mosquitos é complexo. Mesmo quando existem preferências naturais, a disponibilidade e a proximidade do hospedeiro acabam pesando muito na escolha”, explicou Alencar.

Risco maior de transmissão de doenças

O aumento da frequência de picadas em humanos é motivo de preocupação porque os mosquitos atuam como vetores de diversos vírus. Nas áreas analisadas, circulam agentes causadores de doenças como febre amarela, dengue, zika, chikungunya, mayaro e o vírus sabiá.

Para o pesquisador Sergio Machado, da UFRJ, a explicação está diretamente relacionada à perda de alternativas naturais de alimentação.

“Com o desmatamento e a redução da fauna silvestre, os mosquitos ficam com menos opções. Acabam se alimentando mais de humanos por conveniência, já que somos os hospedeiros mais comuns nessas áreas”, concluiu.

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