O processo foi movido por Frank Cascio e seus irmãos, que afirmam que um acordo financeiro firmado em 2020 teria sido assinado sob coação, razão pela qual buscam uma compensação maior agora na Justiça.
Supostas vítimas que afirmam terem sofrido abuso sexual do Michael Jackson ingressaram com uma ação na Justiça dos Estados Unidos pedindo US$ 200 milhões em indenização contra o espólio do cantor. A informação foi divulgada pelo site TMZ, especializado em celebridades.
Segundo a publicação, Frank Cascio e seus irmãos já haviam firmado um acordo financeiro com a família do artista em 2020. No entanto, em 2024, os Cascio decidiram questionar judicialmente o entendimento, alegando que o acerto teria sido assinado sob pressão, o que motivou a reabertura do caso e o novo pedido de reparação financeira.
Michael Jackson aparece ao lado do bilionário Epstein em arquivos do caso
Frank Cascio trabalhou por anos como assistente de Michael Jackson e sempre se apresentou como alguém próximo ao cantor. Durante muito tempo, chegou a defender publicamente o artista das acusações. Com o passar dos anos, porém, sua posição mudou, culminando na atual disputa judicial.
A ação foi analisada pelo tribunal nesta quinta-feira (15). O advogado Marty Singer, representante do espólio de Michael Jackson, classificou o processo como uma tentativa de extorsão. Já Howard King, que atua em defesa da família Cascio, sustenta que os supostos abusos continuam gerando impactos emocionais profundos e duradouros nos clientes que representa.
“Essas crianças estão todas traumatizadas. Uma delas, em particular, está gravemente abalada pelo que aconteceu com ela, e isso só é agravado por esses processos judiciais ridículos, em que o espólio afirma publicamente que ele está mentindo. Ele não está mentindo”, disse King no tribunal.
Pedido de 200 milhões de dólares
O advogado Howard King, responsável pela defesa da família Cascio, afirmou que realizou uma apuração detalhada ao assumir o caso, em 2024. Segundo ele, cada um dos cinco irmãos foi ouvido individualmente para relatar os episódios de abuso sexual que atribuem a Michael Jackson. De acordo com o advogado, o material reunido soma mais de dez horas de depoimentos gravados em vídeo.
King argumenta que o valor solicitado na ação, US$ 200 milhões, é proporcional a precedentes envolvendo o cantor. Ele cita que, nos anos 1990, Michael Jackson teria desembolsado aproximadamente US$ 25 milhões para encerrar uma acusação feita por Jordan Chandler, relacionada a um único episódio de abuso.
No entendimento da defesa, o caso atual apresenta uma dimensão maior, já que envolve cinco supostas vítimas da mesma família, o que, segundo King, justificaria o montante pedido na Justiça norte-americana.

Frank Cascio em 2011 no “Good Morning America” (Foto: Reprodução)
Frank Cascio é acusado de tentar extorsão
Desde julho do ano passado, Frank Cascio passou a ser alvo de acusações públicas de tentativa de extorsão envolvendo o espólio de Michael Jackson. Advogados responsáveis pela administração do patrimônio do cantor alegam que Cascio teria ameaçado divulgar acusações de forte apelo midiático contra o artista com o objetivo de obter compensação financeira. A defesa destaca que a postura contrasta com o histórico de declarações anteriores, nas quais ele defendia Jackson de forma enfática.
Cascio manteve uma relação próxima com o cantor por mais de 30 anos. O vínculo começou quando seu pai conheceu Michael Jackson durante um período de trabalho em um hotel em Nova York. Com o tempo, a convivência se intensificou, e o artista chegou a passar temporadas na residência da família, especialmente após os atentados de 11 de setembro, conforme relatado pela jornalista Stacy Brown em reportagem publicada no New York Amsterdam News.
Em 2011, Cascio lançou o livro “Meu amigo Michael”, no qual rejeitou categoricamente qualquer insinuação de comportamento inadequado por parte do cantor. Na obra, afirmou que o carinho de Jackson por crianças era inocente e frequentemente interpretado de maneira equivocada. Ele também declarou que, ao longo dos anos em que conviveu com o astro, tanto na infância quanto na vida adulta, jamais presenciou algo que levantasse suspeitas.
Acordo confidencial foi firmado em 2020
Apesar do histórico de manifestações públicas em defesa de Michael Jackson, representantes do espólio afirmam que a relação com Frank Cascio teria mudado após a repercussão do documentário Leaving Neverland, exibido pela HBO em 2019.
Conforme descrito em documentos judiciais, Cascio e seus advogados teriam procurado os gestores do patrimônio do cantor oferecendo supostos materiais exclusivos e serviços de consultoria.
Segundo os coexecutores do espólio, John Branca e John McClain, o que inicialmente se apresentou como uma negociação comercial legítima acabou evoluindo para o que classificam como um “processo de extorsão civil”. A alegação é de que as tratativas passaram a envolver pressões financeiras e ameaças veladas de divulgação de informações sensíveis.
Nesse contexto, em janeiro de 2020, as partes firmaram um acordo confidencial, que previa cláusulas de arbitragem e pagamentos escalonados ao longo de cinco anos. O conflito voltou à tona em julho de 2024, quando Cascio teria apresentado uma nova exigência financeira no valor de US$ 213 milhões, o equivalente a cerca de R$ 1,18 bilhão.
De acordo com o espólio, a ameaça consistia em ampliar a divulgação das acusações e afetar negociações estratégicas em andamento. Entre elas, estaria a venda de 50% do catálogo musical de Michael Jackson para a Sony, concluída em 2024 por aproximadamente US$ 600 milhões (cerca de R$ 3,34 bilhões), operação considerada crucial para a gestão do legado do artista.
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