A deputada Erika Hilton utilizou as redes sociais para criticar a Rede Globo após o recente episódio de assédio no Big Brother Brasil 26. A parlamentar questionou a eficácia da pesquisa da emissora e destacou que as autoridades já foram acionadas para investigar o comportamento do participante Pedro. Hilton defende que o programa não pode normalizar condutas nocivas em busca de audiência.
A deputada federal Erika Hilton utilizou suas redes sociais para comentar sua indignação diante últimos acontecimentos no Big Brother Brasil 26.
O posicionamento da parlamentar ocorre após o participante Pedro ser acusado de assediar Jordana dentro do confinamento, culminando na desistência do competidor. Para a Hilton, o episódio não é um fato isolado, mas sim um reflexo de falhas sistêmicas no processo de escolha dos participantes.
Histórico do participante
Na publicação, a deputada destacou a gravidade das condutas atribuídas a Pedro, mencionando que o comportamento do participante extrapolou os limites da convivência na casa. Hilton ressaltou que denúncias e relatos sobre o histórico de Pedro, que incluem suspeitas de crimes graves fora do programa, já estão sob análise das autoridades competentes.
Segundo a parlamentar, o Ministério Público e a Justiça foram acionados para investigar as condutas exibidas durante o programa do último domingo (18).
“Felizmente, a Justiça e o Ministério Público já estão sendo acionados, e o participante já está de saída do programa. Isso é importante. As condutas foram publicizadas, e é essencial que o poder público se atente a tudo isso”, disse Erika.
A saída de Pedro do jogo foi classificada pela deputada como uma medida necessária, dada a repercussão das imagens e o impacto direto sobre a integridade da participante envolvida.
Assista o vídeo:
Críticas à seleção dos participantes
O ponto central do questionamento de Erika Hilton recai sobre a responsabilidade da Rede Globo na seleção dos seus convidados. A deputada indagou como uma estrutura de produção robusta, que realiza pesquisas minuciosas sobre os candidatos, falha repetidamente em identificar perfis com histórico de violência ou comportamentos prejudiciais a mulheres e crianças.
“É sério que, de Laércio a Pedro, nunca percebem nada? Nunca suspeitam de nada? Nunca refletem, por um instante, sobre quem estão presenteando com um possível estrelato nacional?”, questiona a deputada.
Ainda no relato, ela levanta a hipótese de que a presença desses perfis possa não ser fruto de mero acidente, mas sim de uma negligência em relação à segurança dos participantes em prol de índices de audiência.
“Seja por acidente, ao não considerarem o assédio sexual uma possibilidade real nociva ao programa, ou intencionalmente, ao considerarem o assédio sexual como uma possibilidade real benéfica aos números de audiência”, diz Erika.
Assista o vídeo:
A normalização do assédio na tv
Ao finalizar sua análise, a deputada destacou o impacto social de normalizar o assédio sexual em um programa de extremo alcance nacional. Ela pontuou que tais atos afetam a maioria da população brasileira e que o entretenimento não pode servir de escudo para a reprodução de violências desse tipo.
A deputada espera que o histórico de incidentes no Big Brother Brasil sirva de alerta para que a emissora repense seus processos seletivos.
Leia na íntegra:
“Pela quadragésima vez, um participante do BBB se mostrou um completo nojento, dentro e fora da casa, com denúncias e relatos que vão de assédio durante o programa até um possível caso de pedof*lia fora dele.
Felizmente, a Justiça e o Ministério Público já estão sendo acionados, e o participante já está de saída do programa.
Isso é importante. As condutas foram publicizadas, e é essencial que o poder público se atente a tudo isso.
Mas acho que já passou da hora de questionar: com toda a pesquisa prévia da Rede Globo sobre os futuros participantes do BBB, é sério que, todo ano, eles são incapazes de detectar participantes com comportamentos nocivos, especialmente contra as mulheres ou até crianças?
É sério que, de Laércio a Pedro, nunca percebem nada? Nunca suspeitam de nada? Nunca refletem, por um instante, sobre quem estão presenteando com um possível estrelato nacional?
Precisamos, sim, sempre, nos enojar e denunciar cada caso de assédio cometido pelos participantes de um programa com um alcance desses.
Mas também devemos nos questionar e questionar o programa que consumimos. A possibilidade de que esses casos não sejam por acaso deve alarmar a todos.
Seja por acidente, ao não considerarem o assédio sexual uma possibilidade real nociva ao programa, ou intencionalmente, ao considerarem o assédio sexual como uma possibilidade real benéfica aos números de audiência.
Torço para que todos esses casos sejam infelizes acidentes. Mas, por enquanto, o histórico do programa é triste: em quase toda edição acabam convidando um assediador, e quase nunca convidam mulheres como a Ana Paula Renault.
É, no mínimo, hora da Globo repensar seus processos. O assédio sexual afeta, sistematicamente, mais de 50% da população brasileira. Não podemos aceitar que ele seja normalizado em um programa que atinge e influencia tanta gente.”
