O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou na segunda-feira (19) que a proposta do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexar a Groenlândia não deve ser vista como algo fora da realidade.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou na segunda-feira (19) que a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexar a Groenlândia não deve ser vista como algo fora da realidade. Segundo o líder russo, o interesse norte-americano pelo território tem raízes históricas e está inserido em uma estratégia geopolítica de longo prazo.
De acordo com Putin, Washington demonstra interesse pela ilha, que pertence à Dinamarca, há mais de um século. Para ele, a Groenlândia ocupa posição central na disputa internacional pelo Ártico, região estratégica do ponto de vista militar, político e econômico.
Interesse antigo dos Estados Unidos
Ao comentar o tema, Putin afirmou que é um equívoco tratar a iniciativa como uma ideia isolada da atual conjuntura política dos Estados Unidos. Segundo ele, o interesse pelo território é recorrente na política externa americana.
O presidente russo citou como exemplo a compra do Alasca pelos Estados Unidos em 1867, transação que, à época, foi alvo de críticas e ironias dentro do próprio país. Com o passar dos anos, a aquisição passou a ser vista como estratégica e economicamente relevante.
Para Putin, o mesmo raciocínio se aplica à Groenlândia, que hoje ganha importância adicional por causa do degelo no Ártico e da ampliação das rotas comerciais e militares na região.
Tentativas históricas de aquisição
Putin também relembrou que, em 1910, houve negociações envolvendo Estados Unidos, Alemanha e Dinamarca que previam a cessão da Groenlândia aos americanos. O acordo, no entanto, não avançou.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos instalaram bases militares na ilha para impedir uma possível ocupação pela Alemanha nazista. Após o fim do conflito, Washington voltou a propor a compra do território, novamente sem sucesso.
Segundo o presidente russo, esses episódios reforçam que o interesse dos Estados Unidos pela Groenlândia não é recente nem pontual.
Disputa geopolítica no Ártico
Na avaliação do Kremlin, a movimentação de Trump se encaixa no contexto mais amplo da disputa pelo controle do Ártico, área considerada estratégica devido a recursos naturais, novas rotas marítimas e presença militar.
Putin afirmou que os Estados Unidos devem continuar defendendo interesses geoestratégicos, político-militares e econômicos na região, independentemente de quem esteja no comando da Casa Branca.
Repercussão na Rússia e impacto internacional
Autoridades russas avaliam que a proposta de anexação da Groenlândia pode gerar tensões entre os Estados Unidos e países europeus, além de aprofundar divergências dentro da Otan. Esse cenário, segundo analistas ligados ao governo russo, acaba favorecendo os interesses de Moscou.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Trump poderia “entrar para a história” caso avançasse no controle do território. Já o enviado especial de Putin, Kirill Dmitriev, destacou o que chamou de enfraquecimento da união transatlântica, enquanto o ex-presidente russo Dmitry Medvedev ironizou possíveis impactos econômicos da proposta sobre a Europa.
Além disso, o discurso de Trump sobre a Groenlândia reforça argumentos utilizados pela Rússia para justificar ações territoriais, ao invocar razões históricas e estratégicas como base para disputas geopolíticas atuais.
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