Donald Trump afirmou em Davos que apenas os EUA têm capacidade de defender a Groenlândia e voltou a pressionar por negociações para controlar o território dinamarquês. O presidente descartou o uso da força, mas ameaçou impor tarifas a países que rejeitem sua proposta. A ideia de “compra” da Groenlândia é rejeitada pela Europa.

Trump e Petro vão se reunir em fevereiro (Foto: The White House)
Trump e Petro vão se reunir em fevereiro (Foto: The White House)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (21) que “nenhuma nação ou grupo de nações tem a capacidade de defender a Groenlândia” além dos próprios Estados Unidos. A declaração foi feita durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e reacende a tensão diplomática em torno do território, que pertence à Dinamarca.

Durante a fala, Trump reforçou sua intenção de assumir o controle da Groenlândia e defendeu a abertura de “negociações imediatas” para tratar do tema. Segundo o republicano, a relevância estratégica da ilha justificaria a posição norte-americana, especialmente no contexto da segurança global e da atuação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

“Eu tenho um grande respeito pelo povo da Groenlândia e pelo povo da Dinamarca, mas todo integrante da OTAN tem a obrigação de ter a capacidade de defender seu território, e a verdade é que nenhuma nação ou grupo de nações tem a capacidade de defender a Groenlândia além dos EUA”, declarou.

A presença de Trump em Davos ocorre em meio ao aumento das tensões com países europeus sobre o tema. O presidente norte-americano insiste na ideia de controlar o território, que já chegou a chamar de “um pedaço de gelo frio e mal localizado”, inclusive defendendo a possibilidade de compra da Groenlândia — proposta que foi rejeitada de forma categórica pela Dinamarca e por aliados europeus.

Na última semana, Trump anunciou que pretende aumentar em 10% as tarifas sobre importações de países que se recusarem a apoiar a reivindicação do seu governo. Além disso, ameaçou elevar a tributação para 25% caso a chamada “compra” da Groenlândia não seja concluída até meados de 2026. Apesar do tom duro, o presidente dos EUA descartou o uso da força militar para tomar o território, mas voltou a pressionar por negociações.

“Provavelmente, só conseguiremos algo exceto se eu escolha usar força excessiva, o que nos faria ser, francamente, invencíveis. Mas eu não farei isso. As pessoas devem estar aliviadas com essa declaração”, afirmou.

Trump também mencionou episódios históricos para justificar sua argumentação. Segundo ele, os Estados Unidos já controlaram a Groenlândia no passado, durante a Segunda Guerra Mundial, e a devolveram posteriormente à Dinamarca. “Nós já a tínhamos e a devolvemos de maneira respeitosa à Dinamarca após termos vencido os alemães, italianos e japoneses na Segunda Guerra Mundial. Éramos uma grande força militar naquela época, mas somos muito maiores agora”, disse.

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