Um grupo de orcas que ataca e afunda embarcações na costa da Espanha desde 2020 passou a utilizar um padrão próprio de comunicação, até então desconhecido pela ciência.
Um grupo de orcas que ataca e afunda embarcações na costa da Espanha desde 2020 passou a utilizar um padrão próprio de comunicação, até então desconhecido pela ciência. A constatação foi feita por pesquisadores que acompanham os animais na região do Estreito de Gibraltar e da costa atlântica da Península Ibérica.
Ataques se repetem há quatro anos
As investidas contra barcos ocorrem de forma recorrente e têm como principal figura uma fêmea identificada pelos cientistas como Gladis Branca. Ela lidera o grupo e costuma atuar ao lado de outras orcas, apelidadas de “gladiadoras” pelos pesquisadores, devido ao comportamento agressivo registrado durante os episódios.
Desde o início dos ataques, especialistas tentam compreender o motivo das colisões frequentes com embarcações de pequeno e médio porte, tanto em águas espanholas quanto portuguesas.
Sons nunca registrados anteriormente
Durante uma das expedições, cientistas conseguiram gravar o grupo enquanto navegava pela costa espanhola. As imagens e os áudios revelaram um conjunto de sons que não corresponde a nenhum padrão previamente documentado para a espécie.
De acordo com os pesquisadores, o chamado dialeto é composto por quatro sons distintos e parece ser utilizado exclusivamente entre Gladis Branca e suas seguidoras, o que indica uma forma específica de comunicação dentro do grupo.
Especialistas destacam relevância científica
Renaud de Stephanis, presidente do Centro de Conservação, Informação e Pesquisa sobre Cetáceos (Circe), afirmou que a descoberta surpreendeu a equipe. Segundo ele, estudos anteriores indicavam que as orcas da região eram relativamente silenciosas.
O pesquisador explicou que, em geral, diferenças nos sons emitidos por orcas costumam ser classificadas como variações de sotaque. Neste caso, porém, as características apontam para algo mais próximo de um dialeto completamente novo.
Grupo reúne dezenas de animais
As gravações analisadas envolveram até 40 orcas diferentes que vivem no Estreito de Gibraltar e no litoral atlântico da Península Ibérica. Pelo menos 15 delas são suspeitas de participação direta em colisões com embarcações registradas nos últimos quatro anos.
Os pesquisadores seguem monitorando o grupo para entender se o comportamento agressivo e a comunicação diferenciada têm relação direta com os ataques, além de avaliar os impactos da descoberta para a conservação da espécie.
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