A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou a criação de um programa de profissionalização da arbitragem que começa a valer já na temporada de 2026 do Campeonato Brasileiro da Série A. Pela primeira vez, árbitros terão contrato formal de trabalho com a entidade, marcando uma mudança histórica no modelo adotado no país.

Programa da CBF inclui rotina de treinos, acompanhamento físico e psicológico e uso de novas tecnologias na arbitragem brasileira. Foto: CBF.
Programa da CBF inclui rotina de treinos, acompanhamento físico e psicológico e uso de novas tecnologias na arbitragem brasileira. Foto: CBF.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou a criação de um programa de profissionalização da arbitragem que começa a valer já na temporada de 2026 do Campeonato Brasileiro da Série A. Pela primeira vez, árbitros terão contrato formal de trabalho com a entidade, marcando uma mudança histórica no modelo adotado no país.

Neste primeiro ano, o projeto vai contemplar 72 profissionais: 20 árbitros principais, 40 assistentes e 12 árbitros de vídeo (VAR). Eles serão responsáveis por conduzir todas as 380 partidas do Brasileirão e poderão, de forma pontual, atuar também em jogos da Copa do Brasil e em rodadas decisivas da Série B.

Os contratos terão duração de um ano e começam a valer a partir de 1º de março. A formalização deve ocorrer em fevereiro, após a confirmação dos nomes selecionados. Os árbitros serão contratados como pessoa jurídica, com dedicação prioritária — mas não exclusiva — à arbitragem.

Salários fixos e bônus por desempenho

O novo modelo prevê pagamento de salário fixo mensal, que varia conforme a categoria do profissional, além dos valores já recebidos por partida. Também haverá bônus por desempenho, calculados a partir de avaliações técnicas feitas pela comissão de arbitragem da CBF.

A entidade não divulgou os valores oficiais, mas a média de remuneração gira em torno de R$ 13 mil mensais. Árbitros do quadro principal devem receber salários mais elevados, podendo ultrapassar R$ 30 mil fixos.

A escolha dos profissionais levou em conta três critérios principais: pertencer ao quadro CBF ou Fifa, número de escalas na Série A nas últimas duas temporadas e média das avaliações de desempenho realizadas pela confederação.

Treinamento, saúde e tecnologia

O programa é sustentado por quatro pilares: remuneração, excelência física e mental, capacitação técnica e inovação tecnológica. Os árbitros terão uma rotina semanal de treinamentos, acompanhamento com nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos, além de avaliações físicas periódicas que podem influenciar diretamente nas escalas.

Na parte técnica, a CBF promoverá imersões mensais com aulas teóricas, atividades práticas e análise de lances polêmicos. O objetivo é padronizar critérios e aprimorar a tomada de decisões dentro de campo.

Entre as novidades tecnológicas, está a previsão de implementação do impedimento semiautomático, ainda sem data definida, e o uso da chamada “refcam”, câmera acoplada ao corpo do árbitro para monitorar o comportamento dos jogadores e coibir reações excessivas.

Promoção e rebaixamento

O desempenho dos árbitros será acompanhado por meio de um ranking interno, que não será divulgado ao público. As notas vão considerar controle de jogo, aplicação das regras e desempenho físico. A cada ano, pelo menos dois profissionais poderão ser promovidos ao grupo principal, enquanto outros dois podem ser rebaixados, de acordo com o rendimento apresentado.

A iniciativa é resultado de estudos feitos pela CBF com base em modelos adotados em países como Inglaterra, Alemanha, Espanha e México, além de discussões com clubes e árbitros ao longo de 2025.

Com a profissionalização, a confederação aposta em elevar o nível da arbitragem brasileira e reduzir erros decisivos em um dos campeonatos mais disputados do mundo.

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