O dólar abriu em queda nesta quarta-feira (28), enquanto o mercado financeiro acompanha a primeira Superquarta de 2026, com decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. A expectativa é de manutenção da Selic em 15% e das taxas americanas entre 3,5% e 3,75%. No Brasil, o IPCA-15 de janeiro veio abaixo do esperado, reforçando apostas em cortes de juros ainda no primeiro trimestre.

Dólar cai na abertura e mercado fica atento às decisões de juros da Superquarta

O dólar abriu a sessão desta quarta-feira (28) em queda. Na abertura, recuava 0,22%, cotado a R$ 5,1944. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começa a operar às 10h.

A primeira Superquarta de 2026 concentra as atenções do mercado financeiro. Investidores acompanham as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. A expectativa majoritária é de manutenção das taxas nos dois países.

Nos Estados Unidos, a decisão ocorre em meio à pressão política do presidente Donald Trump por cortes mais agressivos. O consenso do mercado aponta para a manutenção dos juros entre 3,5% e 3,75%. As sinalizações futuras do Fed estão no centro das atenções.

As declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, também estarão no radar. Esta será sua primeira entrevista coletiva desde a revelação de uma investigação criminal movida pelo governo Trump.

No Brasil, o mercado também espera a manutenção da Selic em 15%. Ainda assim, investidores analisam o comunicado do Copom em busca de pistas sobre o início do ciclo de cortes. Parte dos analistas vê espaço para sinalizações mais claras a partir de março.

Na véspera, o dólar fechou em queda de 1,41%, cotado a R$ 5,2056. Esse foi o menor nível desde maio de 2024. O movimento ocorreu após a divulgação do IPCA-15 de janeiro, abaixo das projeções.

Dólar
Acumulado da semana: -1,41%
Acumulado do mês: -5,16%
Acumulado do ano: -5,16%

Ibovespa
Acumulado da semana: +1,71%
Acumulado do mês: +12,91%
Acumulado do ano: +12,91%

Inflação menor do que o esperado

O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, segundo o IBGE. O resultado ficou levemente abaixo da expectativa do mercado, que era de alta de 0,22%. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,50%.

As maiores altas vieram dos grupos de saúde e cuidados pessoais, como planos de saúde e produtos de higiene. O setor de comunicação também pressionou o índice, com aumento nos preços de celulares.

A alimentação voltou a subir. O avanço foi puxado por tomate, batata, frutas e carnes. Em contrapartida, itens como leite, arroz e café ficaram mais baratos. A inflação foi atenuada pela queda nas passagens aéreas e por medidas como a tarifa zero em algumas cidades.

De olho nos juros

A prévia da inflação foi divulgada em meio às expectativas pela primeira decisão de juros do ano. O mercado projeta que o Copom mantenha a Selic nesta semana. A expectativa, porém, é de início dos cortes ainda no primeiro trimestre de 2026.

Segundo o Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (26), a Selic deve encerrar 2026 em 12,25% ao ano. A projeção representa uma queda de 2,75 pontos percentuais em relação ao nível atual, de 15%.

A pesquisa reúne estimativas de mais de 100 instituições financeiras. A decisão do Copom ocorre no mesmo dia da reunião do Federal Reserve, caracterizando a Superquarta. Nos EUA, também é esperada a manutenção das taxas.

A principal preocupação do mercado envolve os embates entre Donald Trump e o Fed. O presidente americano voltou a atacar Jerome Powell recentemente. Trump ameaçou indiciá-lo por declarações feitas ao Congresso sobre a reforma de um edifício.

Além disso, Trump tem reforçado que pretende indicar um novo presidente para o Fed. O cenário aumenta a cautela dos investidores, que temem interferência política na condução da política monetária americana. O mandato de Powell termina em maio.

Tensões geopolíticas e acordos comerciais

As tensões geopolíticas seguem no radar. Nesta segunda-feira, Trump elevou de 15% para 25% as tarifas sobre produtos da Coreia do Sul, como carros, madeira e medicamentos.

Segundo o presidente dos EUA, a decisão ocorreu porque o Parlamento sul-coreano não cumpriu um acordo comercial firmado no ano passado. A Coreia do Sul afirmou que tentará negociar.

A China, por sua vez, anunciou que pretende aprofundar a cooperação com a Rússia. O objetivo é enfrentar riscos externos, sobretudo após a divulgação de uma nova estratégia de defesa dos EUA.

Outro destaque foi o novo acordo comercial entre a União Europeia e a Índia, firmado nesta terça-feira (27). O tratado reduz tarifas em diversos setores e deve ampliar o comércio bilateral.

A UE estima economizar até 4 bilhões de euros por ano. Já a Índia busca ampliar exportações de têxteis, joias e produtos de couro. Entre os cortes, estão impostos sobre carros europeus, vinho e alimentos como massas e chocolates.

O acordo também prevê cooperação em tecnologia, investimentos, mobilidade de trabalhadores, educação, segurança e defesa. Em um cenário global instável, UE e Índia buscam reduzir a dependência de grandes potências.

Bolsas globais

Em Wall Street, os índices fecharam sem direção única nesta terça-feira. O mercado aguarda a decisão de juros do Fed.
O S&P 500 subiu 0,42%, enquanto o Nasdaq avançou 0,91%. Já o Dow Jones caiu 0,83%.

Na Europa, a maioria das bolsas fechou em alta. O movimento foi impulsionado por resultados corporativos positivos. O índice STOXX 600 subiu 0,6% e atingiu o maior nível em uma semana.

Em Londres, o FTSE 100 avançou 0,58%. Em Paris, o CAC 40 subiu 0,27%. Já o DAX, da Alemanha, recuou 0,15%.

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta. O movimento foi puxado por sinais de melhora nos lucros das empresas chinesas. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 1,35%, com destaque para ações de tecnologia.

No Japão, o Nikkei subiu 0,85%. Na Coreia do Sul, o Kospi teve alta expressiva de 2,73%. Taiwan, Cingapura e Austrália também encerraram o dia no positivo.

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