Um novo ciclone extratropical começa a se formar nesta sexta-feira (30) e coloca áreas do Centro-Sul do Brasil em atenção para a ocorrência de chuvas intensas e possibilidade de granizo. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, o sistema deve influenciar o tempo em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul e no Espírito Santo, os efeitos tendem a ser mais restritos.
Tempestades como ciclones, tufões e furacões costumam gerar dúvidas, especialmente quando fenômenos desse tipo provocam grandes prejuízos, como já ocorreu em diferentes regiões do mundo e também no Brasil. Apesar dos nomes distintos, esses eventos atmosféricos têm a mesma origem meteorológica e recebem denominações diferentes de acordo com a região onde se formam.
Esses sistemas são caracterizados por intensa circulação de ventos ao redor de um centro de baixa pressão e podem causar chuvas volumosas, ventos fortes, ressacas e danos estruturais significativos.
Furacão, tufão e ciclone são o mesmo fenômeno
Do ponto de vista científico, furacões, tufões e ciclones são o mesmo tipo de tempestade tropical. A diferença está apenas na localização geográfica em que ocorrem.
No Oceano Atlântico e no norte do Oceano Pacífico, essas tempestades recebem o nome de furacões. A palavra tem origem no nome Hurrican, uma divindade caribenha associada à destruição.
No noroeste do Pacífico, o mesmo fenômeno é chamado de tufão. Já no sudeste do Oceano Índico e no sudoeste do Pacífico, a denominação usada é ciclone tropical severo. No norte do Oceano Índico, o termo empregado é tempestade ciclônica severa, enquanto no sudoeste do Oceano Índico a classificação é apenas ciclone tropical.

Foto: reprodução
Critérios de classificação das tempestades
Para que uma tempestade seja classificada como furacão, tufão ou ciclone, é necessário que os ventos sustentados atinjam pelo menos 119 quilômetros por hora.
Quando os ventos de um furacão alcançam 179 quilômetros por hora, o sistema passa a ser considerado um furacão intenso. No caso dos tufões, quando as rajadas atingem 241 quilômetros por hora, o fenômeno recebe a classificação de supertufão.
As tempestades mais fortes, equivalentes à categoria 5 da escala Saffir-Simpson, podem apresentar ventos superiores a 250 quilômetros por hora, sendo capazes de provocar destruição em larga escala.
Diferenças entre as temporadas de ocorrência
As épocas do ano em que essas tempestades se formam variam conforme a região do planeta. No Oceano Atlântico, a temporada de furacões ocorre, em geral, entre 1º de junho e 30 de novembro.
No nordeste do Pacífico, o período oficial vai de 15 de maio a 30 de novembro. No noroeste do Pacífico, onde se formam os tufões, os eventos são mais comuns do fim de junho até dezembro. Já no norte do Oceano Índico, os ciclones costumam ocorrer entre abril e dezembro.
Estrutura e força dos sistemas
De acordo com o National Hurricane Center, órgão ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, o olho de um furacão médio, região central onde a pressão é mais baixa e a temperatura do ar é mais elevada, pode ter cerca de 48 quilômetros de diâmetro. Em alguns casos, essa área chega a alcançar 200 quilômetros de largura.
Com o auxílio de satélites e modelos computacionais, esses sistemas podem ser identificados e monitorados com vários dias de antecedência. Ainda assim, prever com precisão o trajeto que a tempestade seguirá após sua formação continua sendo um desafio para a meteorologia.
Aquecimento global e ciclones tropicais
Nos últimos anos, cientistas têm discutido a possível influência do aquecimento global na intensidade e na frequência dessas tempestades. Em teoria, temperaturas atmosféricas mais altas elevam a temperatura da superfície do mar, o que pode favorecer a formação de sistemas mais intensos.
Dados indicam que o número de furacões de categoria 4 e 5 quase dobrou entre o início da década de 1970 e o começo dos anos 2000. Além disso, tanto a duração dos ciclones tropicais quanto a velocidade máxima dos ventos aumentaram cerca de 50 por cento nos últimos 50 anos.
Apesar desses indicadores, ainda não há consenso científico sobre uma relação direta entre as mudanças climáticas e o aumento global de furacões. Segundo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, é provável que a velocidade máxima média dos ventos dos ciclones tropicais aumente, embora isso não deva ocorrer de forma uniforme em todas as regiões oceânicas. O documento também aponta que a frequência global desses sistemas pode diminuir ou permanecer praticamente inalterada.
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