O delegado Bernardo Leal, da DRE, retornou à Polícia Civil do Rio após perder uma perna em operação contra o Comando Vermelho. Em vídeo emocionante, ele detalhou o momento do tiro de fuzil, o coma de sete dias e reafirmou seu compromisso com a profissão, declarando que voltaria à linha de frente se fosse necessário.
O delegado assistente da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), Bernardo Leal Anne Dias, perdeu uma das pernas após ser baleado em uma megaoperação contra o Comando Vermelho (CV). Ele voltou ao trabalho nesta última semana, após um período de afastamento.
Para comemorar esse retorno, a PCERJ divulgou um vídeo inédito no qual Bernardo conta detalhes do dia da operação e como foi acordar em uma UTI já com uma das pernas amputadas.
“Em dado momento, eu corri para o lado, para a direita, e só sentia queimando. Caí de imediato. O socorro ali era complicado, eu fui ficando fraco. Comecei a ter a percepção de que ia morrer. Apaguei várias vezes, estava desfalecendo mesmo”, relatou o delegado.
Já resgatado da mata, de onde desceu o morro na garupa da motocicleta de um policial militar, Bernardo foi levado para o hospital. “Quando eu já estava muito perto do hospital, dei uma acordada. A última coisa de que me lembro é de estar sendo colocado na maca e alguém dizendo: ‘Corta a calça dele’. A partir daí, não me lembro de mais nada. Fiquei em coma por sete dias.”
Notícia da amputação e revelação chocante
Após os dias em coma, o delegado acordou, mas, no primeiro momento, não percebeu a gravidade. Foi então que o médico responsável comunicou a necessidade da cirurgia. “O doutor Zé veio falar comigo: ‘A gente conseguiu te manter vivo, mas não consegui manter a sua perna’”, relembrou. Bernardo foi atingido por um tiro de fuzil.
Apesar do trauma, o delegado surpreendeu ao afirmar que “faria tudo de novo” e que pretende seguir focado no trabalho operacional. “Não penso em mudar de caminho. Quero voltar e fazer meu trabalho como sempre fiz. Fui eu, mas poderia ter sido qualquer um da minha equipe. Não me arrependo. Essa sempre foi a minha missão. Se tivesse que ir de novo para a Penha, eu iria. Por eles, eu morreria também. Essa é a minha missão de vida”, finaliza.
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