Um cirurgião de transplantes do Texas, nos Estados Unidos, foi acusado por promotores federais de falsificar prontuários médicos para tornar pacientes inelegíveis a transplantes de fígado. Segundo a acusação, cinco pessoas foram afetadas entre 2023 e 2024 e três delas morreram. O médico se declarou inocente e afirma, por meio da defesa, que suas decisões seguiram critérios clínicos.
Um cirurgião de transplantes do Texas, nos Estados Unidos, foi acusado por promotores federais de falsificar prontuários médicos para tornar pacientes inelegíveis a transplantes de fígado. Segundo a acusação, cinco pessoas foram afetadas entre 2023 e 2024 e três delas morreram. O médico se declarou inocente e afirma, por meio da defesa, que suas decisões seguiram critérios clínicos.
O caso envolve John Stevenson Bynon Jr., de 66 anos, que atuava como diretor de transplante de órgãos abdominais e diretor cirúrgico de transplante de fígado no Memorial Hermann-Texas Medical Center, em Houston. As investigações começaram há cerca de dois anos.
Acusação aponta manipulação de registros médicos
De acordo com a denúncia apresentada pelo Escritório do Procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul do Texas, Bynon teria inserido informações falsas nos prontuários de cinco pacientes entre fevereiro de 2023 e março de 2024. Essas alterações, segundo os promotores, impediram que os pacientes recebessem ofertas de fígado por meses sem que eles soubessem da mudança de status.
Entre os casos citados está o de um paciente identificado pelas iniciais C.C., incluído na lista de espera em março de 2023. A acusação afirma que o cirurgião alterou registros que o tornaram inelegível por cerca de 149 dias. O paciente morreu em fevereiro de 2024, ainda sob acompanhamento médico.
Outro paciente, identificado como R.O., teria permanecido inelegível por 69 dias após alterações semelhantes. Conforme a denúncia, o médico restaurou a elegibilidade meses depois. R.O. morreu horas após uma cirurgia de transplante considerada malsucedida, realizada poucos dias após a correção dos registros.
Dos cinco pacientes mencionados, dois conseguiram realizar transplantes em outros hospitais.
Defesa sustenta decisão médica
Em audiência federal realizada em Houston, Bynon se declarou inocente das cinco acusações de prestar declarações falsas em assuntos de saúde. Cada acusação pode resultar em pena de até cinco anos de prisão e multa de até US$ 250 mil, caso haja condenação.
O advogado do médico, Samy Khalil, afirmou que o cliente é um cirurgião experiente e que as decisões questionadas faziam parte de avaliações médicas sobre o momento adequado para um transplante.
Segundo a defesa, o processo de aceitação de um órgão envolve análise rigorosa do estado clínico do paciente, já que o procedimento é complexo e apresenta riscos elevados. Khalil argumenta que nenhum médico responsável autorizaria uma cirurgia desse porte sem considerar a segurança do paciente.
Promotores citam impacto em pacientes vulneráveis
Para os investigadores, a suposta manipulação dos registros comprometeu as chances de sobrevivência de pessoas em situação crítica. O agente especial interino do FBI em Houston, Jason Hudson, afirmou que o caso envolve pacientes que depositaram confiança em um profissional de referência nacional.
Promotores sustentam que nem os pacientes, nem familiares ou integrantes das equipes médicas sabiam das alterações nos prontuários.
Hospital suspendeu programa de transplantes
Em abril de 2024, o Memorial Hermann-Texas Medical Center suspendeu temporariamente seus programas de transplante de fígado e rim após o surgimento das acusações. Posteriormente, segundo veículos internacionais, o serviço foi retomado.
O julgamento de Bynon está marcado para abril. Até lá, o médico responde ao processo em liberdade.
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