Os jurados responsáveis por avaliar as escolas de samba do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro, seguem regras de segurança para garantir sigilo, imparcialidade e transparência no resultado final da competição. Entre as principais medidas estão o isolamento em hotel, a entrega de aparelhos eletrônicos e o deslocamento controlado até o Sambódromo da Marquês de Sapucaí.

Os jurados do carnaval ficam isolados e seguem regras de segurança durante os desfiles na Sapucaí. Foto: reprodução/Agência Brasil.
Os jurados do carnaval ficam isolados e seguem regras de segurança durante os desfiles na Sapucaí. Foto: reprodução/Agência Brasil.

Os jurados responsáveis por avaliar as escolas de samba do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro, seguem regras de segurança para garantir sigilo, imparcialidade e transparência no resultado final da competição. Entre as principais medidas estão o isolamento em hotel, a entrega de aparelhos eletrônicos e o deslocamento controlado até o Sambódromo da Marquês de Sapucaí.

Ao todo, 54 julgadores participam do processo de avaliação, divididos entre nove quesitos. O esquema de segurança é coordenado pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), que estabelece as normas para evitar qualquer tipo de influência externa nas notas.

Processo seletivo e preparação

A escolha dos jurados começa meses antes do carnaval e segue um modelo semelhante ao de processos seletivos profissionais. Os interessados enviam currículo para análise da Liesa, que avalia experiência e conhecimento técnico conforme o quesito que será julgado.

Segundo o coordenador de jurados da Liesa, Thiago Farias, os selecionados passam por treinamentos antes de atuar na função.

“Os jurados participaram de dois simpósios e dois cursos”, afirmou.

Neste ano, o julgamento também ganhou mudanças estruturais. Os nove quesitos tradicionais foram subdivididos em 26 subquesitos, ampliando o detalhamento das avaliações. Entre eles estão critérios como cadência, fluência e funcionalidade.

Isolamento e controle de comunicação

Durante os dias de desfile, os jurados ficam hospedados em um hotel indicado pela Liesa e precisam cumprir regras rigorosas de isolamento. No momento do check-in, todos os aparelhos eletrônicos são recolhidos.

“No dia que os jurados vão fazer o check-in no hotel, todos os aparelhos eletrônicos ficam com a Coordenação de Jurados. Só devolvemos na Quarta-Feira de Cinzas, depois que jurado dá as notas”, explicou Thiago Farias.

Como alternativa, os avaliadores recebem um tablet sem acesso à internet, que contém apenas o livro Abre-alas, documento que apresenta o roteiro detalhado de cada escola de samba.

Deslocamento e posicionamento na Sapucaí

O transporte até o Sambódromo também segue regras específicas. Os jurados são levados exclusivamente em ônibus fretados pela Liesa, sem possibilidade de deslocamento por meios próprios.

A distribuição dos avaliadores ao longo da Sapucaí é definida por sorteio. Eles são posicionados em seis cabines instaladas em quatro módulos, espalhados em diferentes pontos da avenida para garantir múltiplas perspectivas dos desfiles.

Uma das novidades é a presença de módulos espelhados, que permitem avaliar apresentações em 360 graus, principalmente nos quesitos comissão de frente e mestre-sala e porta-bandeira.

Regras durante os desfiles

Durante as apresentações, os jurados permanecem nas cabines durante todo o desfile de cada escola. Pausas são permitidas, mas sem que eles deixem o local ou tenham contato externo.

“Eles fazem pausa, mas permanecem dentro das cabines”, afirmou o coordenador.

Os julgadores também recebem alimentação e bebidas não alcoólicas durante o período de trabalho. O contato entre jurados do mesmo módulo é permitido, mas avaliadores que julgam o mesmo quesito não podem conversar entre si.

O descumprimento das regras pode resultar no afastamento do jurado do processo de avaliação.

Situações de emergência

Caso um jurado passe mal durante os desfiles, não há substituição. Conforme o regulamento, qualquer nota registrada por ele deixa de ser considerada. Nesse caso, na apuração, repete-se a maior nota obtida pela escola naquele quesito.

Sigilo até a apuração

As notas são preenchidas oficialmente apenas após a apresentação da última escola de cada noite. O material é lacrado e mantido sob sigilo até a apuração, realizada na Quarta-Feira de Cinzas.

Embora 54 jurados participem do julgamento, nem todas as notas são utilizadas no resultado final. Antes da leitura dos envelopes, a Liesa realiza um sorteio para descartar dois avaliadores de cada quesito. Durante a apuração, também é eliminada a menor nota restante.

Ao final do processo, 27 notas são consideradas para definir a campeã do carnaval carioca, reforçando o sistema criado para garantir equilíbrio e justiça na competição.

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