A redução no lucro foi influenciada por fatores como o aumento da inadimplência e mudanças em regras contábeis aplicadas à carteira de crédito
O Banco do Brasil comunicou nesta quarta-feira (11) ao mercado que registrou um impacto bilionário provocado pela inadimplência de uma empresa do setor atacadista no fim de 2025. De acordo com o balanço financeiro, a instituição enfrentou um prejuízo de R$ 3,6 bilhões relacionado a esse cliente no quarto trimestre.
No relatório, o BB explica que a piora nos indicadores de calote está concentrada em um episódio específico dentro da carteira de Títulos e Valores Mobiliários. O nome da companhia envolvida não foi divulgado.
Durante apresentação dos resultados, o vice-presidente de Riscos do banco, Felipe Prince, afirmou que o caso já era acompanhado internamente e classificado como sensível há algum tempo. Segundo ele, a instituição vinha realizando provisões para reduzir os impactos financeiros.
“A negociação foi concluída no fim de 2025, e os instrumentos foram assinados no início de 2026. Com isso, a operação foi regularizada agora em janeiro e acabou sendo cedida a terceiros”, afirmou. Na prática, outro credor passa a deter essa dívida.
Apesar do episódio, o desempenho geral agradou ao mercado. Após a divulgação do balanço, as ações do Banco do Brasil avançaram, refletindo a avaliação positiva dos investidores em relação ao lucro trimestral.
Lucro do Banco do Brasil em 2025
O Banco do Brasil fechou 2025 com lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, resultado que ficou dentro do intervalo mais recente estimado pela própria instituição, mas bem abaixo do desempenho do ano anterior. Na comparação com 2024, quando o banco teve resultado recorde, houve retração de 45,4%.
Ao longo do ano, o BB revisou sucessivamente suas projeções. A expectativa inicial, que indicava lucro entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões, foi suspensa em maio. Depois, as estimativas foram ajustadas para faixas menores, refletindo um cenário mais desafiador para a instituição.
Segundo a presidente-executiva Tarciana Medeiros, 2025 foi marcado por ajustes internos e por um ambiente de maior pressão na carteira de crédito. O aumento da inadimplência no agronegócio e a adoção de novas normas contábeis contribuíram para impactar o desempenho.
No recorte do quarto trimestre, o banco reportou lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões. O valor representa queda anual, mas mostra forte recuperação em relação ao trimestre imediatamente anterior e superou as expectativas do mercado, que apontavam resultado inferior.
Projeções de lucro do BB para 2026
O Banco do Brasil apresentou ao mercado suas estimativas para 2026, indicando expectativa de recuperação nos resultados. A instituição calcula que o lucro líquido ajustado do próximo ano pode ficar entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, sinalizando melhora após um período de maior pressão sobre os números.
As projeções incluem crescimento moderado da carteira de crédito total, entre 0,5% e 4,5%. No segmento de pessoa física, o banco espera avanço mais forte, de 6% a 10%. Já para empresas, a variação pode ir de leve retração a pequena alta, enquanto o agronegócio deve apresentar estabilidade, oscilando entre queda de 2% e alta de 2%.
Em relação aos custos, o BB estima despesas com crédito entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões. As receitas com serviços tendem a crescer de 2% a 6%, enquanto as despesas administrativas podem subir de 5% a 9%. A margem financeira bruta é projetada para avançar entre 4% e 8%.
Em comunicado, a presidente-executiva Tarciana Medeiros afirmou que os indicadores já mostram uma virada de tendência. Segundo ela, o banco entra em 2026 com postura cautelosa, foco em controle de riscos, reforço de garantias e desenvolvimento de produtos, especialmente para manter a relação histórica com o setor do agronegócio.
Custo do crédito cresce na comparação anual
No final de dezembro, o Banco do Brasil registrava uma carteira de crédito ampliada próxima de R$ 1,3 trilhão, com leve avanço tanto na comparação trimestral quanto na anual. O custo do crédito ficou ao redor de R$ 18 bilhões, praticamente no mesmo nível do trimestre anterior, mas 93,9% com forte alta em relação ao mesmo período de 2024.
No segmento de pessoa física, o volume de empréstimos seguiu em expansão, com crescimento de 1,8% no trimestre e 7,6% em 12 meses. Já o índice de inadimplência subiu 6,56%, ante 6,01% no trimestre anterior e 4,66% um ano antes, mostrando aumento do atraso nos pagamentos em relação aos períodos anteriores.
Entre as empresas, a carteira se manteve estável, mas também houve elevação na taxa de inadimplência na comparação trimestral e anual, indicando maior pressão sobre a capacidade de pagamento das companhias.
No agronegócio, segmento que vem impactando os resultados do banco, o crédito continuou avançando de forma moderada. Por outro lado, o nível de atrasos acima de 90 dias aumentou de forma relevante na comparação com o trimestre anterior e com o ano passado.
Em apresentações recentes ao mercado, a direção do BB já havia alertado que a inadimplência no agro permaneceria elevada no curto prazo, com expectativa de melhora gradual a partir de 2026.
BB retoma dois dígitos
O Banco do Brasil encerrou o quarto trimestre com melhora na rentabilidade, voltando a registrar retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) em dois dígitos. O indicador alcançou 12,4%, superior ao trimestre anterior, embora ainda abaixo dos níveis mais elevados observados em 2024.
Apesar da recuperação, o desempenho do BB ficou atrás de grandes concorrentes do setor bancário no mesmo período. Itaú Unibanco, Santander Brasil e Bradesco reportaram retornos sobre patrimônio superiores, reforçando a disputa por rentabilidade entre os principais bancos do país.
A margem financeira bruta do BB somou R$ 27,8 bilhões, com crescimento na comparação anual. Por outro lado, as receitas com serviços recuaram, enquanto as despesas operacionais avançaram, o que pressionou o índice de eficiência, que apresentou piora em relação ao ano anterior.
No campo de capitalização, o banco mostrou fortalecimento. Os índices de capital nível 1, capital principal e Basileia registraram avanço, indicando maior robustez financeira e capacidade de absorver riscos.
Além disso, a instituição anunciou remuneração adicional aos acionistas, com a liberação de R$ 1,2 bilhão em juros sobre capital próprio complementares, reforçando a política de retorno ao investidor.
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