José Álvaro Moisés, fundador do PT e professor da USP, que se afogou na Praia de Itamambuca (Ubatuba) na última sexta-feira (13). Amigos relatam que o mar estava calmo e que o acidente foi repentino.

Saiba detalhes dos últimos momentos de fundador do PT que morreu no litoral de São Paulo

O falecimento de José Álvaro Moisés, aos 81 anos, ganha contornos de perplexidade após o relato de testemunhas que acompanhavam o professor.

Fundador histórico do Partido dos Trabalhadores (PT) e intelectual de renome da USP, Moisés morreu afogado na tarde da última sexta-feira (13) na Praia de Itamambuca, em Ubatuba, mesmo em um cenário de mar aparentemente calmo.

“Uma história estranha”: O relato de Renée Amazonas

Em entrevista ao g1, a jornalista Renée Amazonas Castelo Branco, amiga de longa data do professor, descreveu os momentos que antecederam a fatalidade. O grupo, formado por colegas de faculdade da USP, havia se reunido para ver o pôr do sol. Segundo Renée, o mar apresentava apenas ondas baixas, e a água batia entre o joelho e a coxa quando entraram.

Apesar da tranquilidade aparente, Moisés foi perdido de vista por apenas alguns instantes.

“O Moisés ficou na beira, naquela parte bem baixinha. Quando percebemos, começamos a perguntar: ‘Cadê o Moisés?’”, relembrou a amiga.

O corpo do professor foi encontrado duas quadras de distância de onde o grupo estava, levado pela correnteza.

O legado político de José Álvaro e a fundação do PT

Como um dos fundadores do PT na década de 1980, ele foi peça-chave na estruturação ideológica do partido durante o processo de redemocratização.

José Álvaro participou ativamente da elaboração de cartilhas que explicavam as bases da legenda e discutiam a Assembleia Nacional Constituinte. Embora tenha adotado uma postura crítica aos governos do partido nos últimos anos, sua contribuição intelectual como cientista político e professor sênior da USP é considerada “incontornável” pela Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP).

Suspeita de morte acidental

A Polícia Civil registrou a ocorrência como morte suspeita e acidental. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou o afogamento como causa oficial. A família e amigos destacam que, apesar da idade, o professor estava em pleno vigor físico e intelectual, envolvido em seminários e análises para rádios e jornais.

Por fim, o velório de José Álvaro Moisés ocorrerá em São Paulo, em data ainda a ser confirmada pela família. A USP e diversas instituições acadêmicas emitiram notas de pesar, lamentando o “vácuo intelectual” deixado por um homem que dedicou três décadas ao estudo da qualidade da democracia no Brasil.

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