Especialistas culturais do Carnaval criticaram abertamente as falhas na fantasia de Virginia Fonseca durante seu desfile na Sapucaí. As críticas abordaram desde a suspeita de que os problemas técnicos foram forjados para gerar engajamento até a falta de resistência física da influenciadora com o peso dos adereços. O debate expõe a diferença de percepção entre o desempenho de celebridades digitais e a tradição técnica das comunidades do samba.

Virginia Fonseca marcou sua estreia na Sapucaí no Carnaval 2026 || Reprodução: Redes Sociais
Virginia Fonseca marcou sua estreia na Sapucaí no Carnaval 2026 || Reprodução: Redes Sociais

A estreia de Virginia Fonseca como Rainha de Bateria na Marquês de Sapucaí continua repercutindo e gerando debates entre profissionais do samba. Durante o desfile pela Grande Rio, a influenciadora enfrentou contratempos com a fantasia, incluindo o descolamento do tapa-sexo e dificuldades com o peso do adereço de costas.

Para a sambista Lyllian Bragança, houve uma falha técnica na concepção da peça que poderia ter sido evitada com soluções tradicionais do Carnaval. A especialista indagou a razão de não terem utilizado uma estrutura de segunda pele para garantir a fixação e a segurança da vestimenta durante a evolução na avenida.

Eu só não entendi por que não fizeram a roupa dela numa ‘segunda pele’”, disse Lyllian em entrevista ao Terra Brasil.

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O incidente levantou suspeitas entre outras figuras do meio artístico sobre a natureza do problema. Julianna Fênix e a gestora cultural Talitha de Jesus levantaram a hipótese de que a situação poderia ter sido planejada para gerar repercussão digital. Julianna ponderou que, em sua visão, o descolamento pode ter ocorrido de forma proposital, enquanto Talitha reforçou a ideia de que a busca por engajamento muitas vezes se sobrepõe ao desfile técnico, adotando a máxima de que o importante é ser mencionado, independentemente do contexto.

Tudo pelo engajamento. Falem bem ou falem mal”, analisou Talitha, também, em entrevista ao Terra Brasil.

Além dos problemas com a fixação da roupa, o esforço relatado por Virginia ao carregar um costeiro de 12 quilos também foi alvo de comparações. Julianna Fênix destacou a discrepância entre a dificuldade mencionada pela influenciadora e a realidade das componentes tradicionais das escolas de samba. A sambista pontuou que mulheres de diversas idades, incluindo senhoras da ala das baianas com cerca de 80 anos, costumam desfilar e girar na avenida carregando fantasias que chegam a 30 quilos, minimizando o impacto do peso utilizado pela empresária.

Para as especialistas, a resistência física e o domínio técnico da fantasia são elementos fundamentais da cultura do samba que parecem ter ficado em segundo plano na estreia da influenciadora.

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