O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, fez duras críticas ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, ao avaliar a gestão municipal e projetar o futuro político do chefe do Executivo paulistano.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, fez duras críticas ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, ao avaliar a gestão municipal e projetar o futuro político do chefe do Executivo paulistano. Em entrevista exclusiva concedida na quinta-feira (19) ao repórter Lucas Tadeu, no Palácio do Planalto, em Brasília, Boulos afirmou que a administração é “muito ruim” e acusou Nunes de governar para grandes empresários.
“Cara, é muito ruim. Não é questão, é uma questão de lado, sabe? O Ricardo Nunes, ele tem um lado que é um lado dos grandes empresários e dos privilegiados. Esse é o lado do cara. É quem ele defende. E governa pra essa turma.”
Críticas ao Carnaval e à GCM
Boulos citou episódios ocorridos durante o Carnaval para sustentar suas críticas. Segundo ele, houve favorecimento comercial e repressão a trabalhadores informais.
“Pega agora no Carnaval. Acabou de ter o Carnaval. O que a gente viu? Ele foi lá, fez um acordão de grana com a Skol, com a Ambev, pra deixar o Carnaval pra eles. E a GCM metendo porrada em camelô.”
O ministro afirmou que ambulantes teriam sido reprimidos por vender produtos de marcas que não eram patrocinadoras oficiais.
“Esse cara tá trabalhando, querendo levar o dinheiro pra casa, o sustento. Porque a cerveja que o cara tava vendendo não era da Ambev, que era patrocinadora. Ele foi lá, apreende a mercadoria do cara, joga spray no cara, dá porrada no cara.”
Para Boulos, o episódio evidencia o posicionamento político do prefeito.
“Isso mostra de que lado o Ricardo Nunes tá.”
Reconhecimento do resultado eleitoral
Apesar das críticas, o ministro reconheceu o resultado das urnas e rejeitou qualquer postura de contestação eleitoral.
“Eleição é eleição. Ele ganhou no jogo, o povo escolheu. Eu não sou daqueles que quando perde a eleição sai xingando a urna, tenta dar golpe. Diz, não, perdi a eleição, faz parte. Foi o que o povo escolheu.”
A fala faz referência indireta às contestações eleitorais feitas por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro após o pleito de 2022.
Boulos, no entanto, deixou claro que seguirá como opositor político da gestão municipal.
“Como numa democracia como a gente vive, tenho o direito de continuar criticando e achando que ele tá errado.”
Futuro político e suspeitas
Ao projetar o fim do mandato de Nunes, o ministro adotou tom ainda mais crítico e levantou suspeitas sobre a condução administrativa.
“Cara, eu não sei o que esse cara vai querer fazer da vida. Além de ganhar dinheiro. Com todas as suspeitas que existem de corrupção no governo dele. Foram várias acusações.”
Ele afirmou não detalhar os casos para evitar disputas judiciais.
“Eu não vou aqui detalhar, porque senão daqui a pouco vem um processinho. Todo mundo sabe, basta pesquisar no Google.”
Boulos também questionou a motivação política do prefeito.
“Eu não sei se esse cara tem um propósito na política. Sabe? De falar, pô, eu tenho uma missão, eu quero melhorar a vida das pessoas, eu quero lutar por direito, eu acredito nisso, defendo essas ideias. Tem gente que tá na política por grana.”
