Dois homens foram presos em flagrante no centro de São Paulo após aplicarem golpes que somam centenas de milhares de reais contra idosos. A dupla se passava por policiais civis para subtrair dispositivos eletrônicos e senhas, chegando a adquirir itens de luxo com o proveito do crime. A Justiça converteu a prisão em preventiva e a polícia busca agora outros dois integrantes do grupo criminoso.
A Polícia Civil de São Paulo prendeu em flagrante de dois homens acusados de integrar uma associação criminosa especializada em estelionato contra idosos. A prisão ocorreu na região central da capital paulista na última sexta-feira (20). Os suspeitos, identificados como Vitor Hugo de Oliveira Dias e Guilherme Henrique Ferre Pequeno, são investigados por se passarem por policiais e sacar quantias consideráveis dando golpes em idosos, incluindo uma professora de 83 anos que sofreu um prejuízo estimado em R$ 900 mil reais.
Como os golpes eram aplicados
De acordo com o inquérito policial, o grupo operava com um método de convencimento sofisticado desde o ano de 2022. Os criminosos estabeleciam contato telefônico com as vítimas e se identificavam como autoridades policiais empenhadas em desarticular quadrilhas de fraudadores. Sob o pretexto de realizar uma perícia técnica, os indivíduos persuadiam os idosos a entregarem seus aparelhos celulares e cartões bancários.
Com a posse dos dispositivos e o acesso às senhas, os suspeitos instalavam as contas bancárias em outros aparelhos para movimentar livremente os ativos financeiros.
Para passar veracidade, a dupla apresentava boletins de ocorrência falsificados e solicitava transferências bancárias diretas, alegando que o aporte de capital seria necessário para o andamento das supostas investigações.
Assista o vídeo:
Prisão em flagrante
A prisão foi efetuada no momento em que os suspeitos transitavam em um veículo pelo centro de São Paulo, logo após consumarem uma nova fraude. Ao notarem a aproximação das viaturas, os indivíduos tentaram empreender fuga.
Durante a abordagem, um dos envolvidos tentou danificar o próprio telefone celular com o intuito de eliminar evidências digitais, mas foi contido pelos agentes da Polícia Civil.
Em depoimento informal ao delegado Ronald Quene, os detidos admitiram a prática sistemática de delitos contra o patrimônio de pessoas idosas há, pelo menos, três anos. As investigações apontam que, além da professora que perdeu quase um milhão de reais, outras três vítimas já foram formalmente identificadas pela polícia.
Ostentação da dupla
O fluxo financeiro obtido de forma ilícita era utilizado para a aquisição de bens de luxo. Entre os itens adquiridos com o dinheiro das vítimas, os investigadores localizaram a compra de um aquecedor de piscina avaliado em R$ 90 mil.
A estratégia do grupo consistia em realizar transações de baixo valor inicialmente, elevando as cifras de forma gradual para evitar o bloqueio automático dos sistemas de segurança bancária.
Investigação
A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva de Vitor Hugo e Guilherme Henrique durante audiência de custódia realizada no último sábado (22). A Polícia Civil mantém as diligências para localizar outros dois suspeitos que já foram identificados como participantes do esquema.
O objetivo atual das autoridades é mapear a extensão total do dano financeiro e identificar possíveis novas vítimas do grupo criminoso.
