Cristiane Dantas, que moveu uma ação contra Virginia Fonseca e Zé Felipe por suposta gordofobia, quebrou o silêncio nesta segunda-feira (23) após a derrota na Justiça.

Virginia e Zé Felipe (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Virginia e Zé Felipe (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Cristiane Dantas, que moveu uma ação contra Virginia Fonseca e Zé Felipe por suposta gordofobia, quebrou o silêncio nesta segunda-feira (23) após a derrota na Justiça.

Em entrevista à coluna de Fabia Oliveira, do Metrópoles, ela lamentou a decisão e afirmou que o caso vai além de um “mero dissabor cotidiano”.

Quando a dor de uma pessoa obesa vira entretenimento, não se trata de mero dissabor cotidiano — trata-se de dignidade”, declarou.

Cristiane também ressaltou que a liberdade de expressão não é absoluta. “Ela encontra limites quando ultrapassa o respeito e se transforma em humilhação. A gordofobia não é exagero nem vitimismo”, afirmou.

“Respeito não é favor, é direito”

Em nota, a estudante de Direito disse que se manifesta não apenas como autora da ação, mas como alguém que já vivenciou situações semelhantes.

“Escrevo não apenas como estudante de Direito, mas como mulher que já sentiu o peso da ridicularização travestida de ‘brincadeira’. Quando a dor de uma pessoa obesa vira entretenimento, não se trata de mero dissabor cotidiano — trata-se de dignidade.

A Constituição Federal assegura a inviolabilidade da honra e da imagem e consagra a dignidade da pessoa humana como fundamento da República. A liberdade de expressão é essencial, mas não é absoluta. Ela encontra limites quando ultrapassa o respeito e se transforma em humilhação.

A gordofobia não é exagero nem vitimismo. É uma forma de violência simbólica que marca, silencia e exclui. Minimizar esse sofrimento é perpetuar uma cultura que normaliza o constrangimento. Como futura advogada, sigo convicta de que respeito não é favor, é direito. E transformar dor em propósito também é uma forma de fazer justiça.”

Relembre o caso envolvendo Virginia Fonseca

O ex-casal foi processado após Cristiane afirmar ter sido alvo de ataques nas redes sociais depois que Virginia publicou um story, em 2021, no qual aparecia rindo ao lado de amigos enquanto segurava um celular. Segundo a autora da ação, no aparelho estaria sendo exibido um vídeo em que ela comentava a quantidade de pães que consumia em razão de um quadro de obesidade mórbida.

Na Justiça, Cristiane acusou Virginia e Zé Felipe de gordofobia e de uso indevido de imagem, alegando que a publicação teria provocado novos ataques e constrangimentos. Ela pediu uma indenização por danos morais no valor mínimo de R$ 600 mil.

Decisão judicial descarta irregularidades

Ao analisar o caso, a juíza responsável pelo processo entendeu que a autora optou voluntariamente por tornar público o vídeo, que havia sido divulgado originalmente em 2017, anos antes da publicação feita por Virginia.

Na sentença, a magistrada destacou que, ao permitir a circulação do conteúdo nas redes sociais, Cristiane não poderia alegar uso indevido posteriormente. Além disso, a decisão aponta que Virginia e Zé Felipe apenas assistiram ao vídeo, sem citar o nome da autora ou fazer comentários que a identificassem diretamente.

Falta de provas sobre novos ataques
Outro ponto considerado pela Justiça foi a ausência de provas de que o story tenha provocado uma nova onda de ofensas. Segundo a juíza, Cristiane não conseguiu demonstrar que a publicação tenha gerado uma nova viralização do vídeo ou reacendido ataques direcionados a ela.

A magistrada também observou que apenas Virginia e Zé Felipe — ambos figuras públicas de grande visibilidade — foram acionados judicialmente, o que, segundo a decisão, indicaria uma tentativa de obter uma condenação financeiramente mais vantajosa.

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