O ministro também destacou a importância de fortalecer a capacidade nacional de produção de medicamentos para reduzir a dependência de importações e proteger o abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Ministro da Saúde, Alexandre Padilha (Antonio Cruz/Agência Brasil)

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta terça-feira (3) que o governo federal acompanha com atenção possíveis reflexos do conflito no Oriente Médio sobre o abastecimento de medicamentos no Brasil.

De acordo com ele, parte dos insumos farmacêuticos utilizados pela indústria nacional chega ao país por meio de rotas aéreas que passam pela região afetada pela guerra. A declaração foi feita durante agenda oficial em uma fábrica do setor farmacêutico em Valinhos (SP), ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de outras autoridades.

Padilha explicou que os princípios ativos empregados na produção de remédios, muitos deles importados da Índia, costumam ser transportados por aeroportos do Oriente Médio. Caso haja necessidade de redirecionamento das rotas por causa da instabilidade na região, o custo logístico pode aumentar, com possível impacto na cadeia de fornecimento. Segundo o ministro, o cenário está sendo monitorado para evitar prejuízos ao abastecimento no país.

“A gente está monitorando essa situação. Vários produtos que são produzidos mesmo aqui no Brasil, os princípios ativos vêm, por exemplo, da Índia, que pode ter circulação afetada. Você tem uma parte que a cadeia logística vem para os aeroportos do Oriente Médio. Então, você pode ter até a mudança de rota, isso pode impactar nos custos. Então, toda guerra faz mal à saúde. Essa guerra pode fazer mal à saúde global, não só do Brasil, a saúde do mundo inteiro”, disse o ministro.

Governo defende fortalecimento da produção

Durante a agenda em São Paulo, Padilha e Lula reforçaram a necessidade de ampliar a capacidade nacional de fabricação de remédios como estratégia para reduzir a dependência externa em momentos de instabilidade global.

A comitiva presidencial esteve na unidade da Bionovis, em Valinhos. Também participaram da visita o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda Fernando Haddad e a ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet.

“Se você ligar a televisão de noite, está falando de guerra. Se você ligar a televisão de manhã, está falando de morte. Está falando de drone, está falando de mísseis, está falando de invasão. E aqui nós estamos falando de salvar vidas. Isto aqui é um drone de remédio para o povo brasileiro. Isto aqui é o nosso míssil [exibindo medicamento de alto custo] Não o míssil para matar, o míssil para salvar”, disse o presidente.

Durante o discurso, Lula mencionou os conflitos armados e as vítimas no Oriente Médio para defender investimentos em políticas públicas voltadas à saúde e à preservação da vida.

Ministério acompanha desdobramentos da guerra

Na coletiva, Alexandre Padilha voltou a afirmar que a pasta acompanha os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, atento a possíveis reflexos no setor farmacêutico e na logística de insumos importados.

No campo político, Padilha também comentou sobre o cenário eleitoral em São Paulo e a necessidade de organizar o papel de nomes que integram o governo federal. Ele citou o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda Fernando Haddad, a ministra do Meio Ambiente Marina Silva, o ministro do Empreendedorismo Márcio França e a ministra do Planejamento Simone Tebet como parte de um grupo que pode desempenhar papel estratégico no estado.

Segundo o ministro, trata-se de um “time” que precisará definir posições de forma coordenada. Ele avaliou que Alckmin chega fortalecido pelo trabalho à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, enquanto Haddad poderia se beneficiar do cenário econômico favorável, o que ampliaria seu potencial em uma eventual disputa pelo governo paulista.

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