Após sete meses de um dos crimes mais brutais do Paraná, a investigação sobre a chacina de Icaraíma ganha novo fôlego com a denúncia de que os suspeitos, Antônio Buscariollo e seu filho, teriam sido vistos em um pesqueiro no interior de São Paulo. O crime, ocorrido em agosto de 2025, foi motivado por uma disputa de terras avaliadas em R$ 750 mil. As quatro vítimas foram executadas em uma emboscada com armamento de uso restrito.

Foto: reprodução/redes sociais
Foto: reprodução/redes sociais

​O caso que chocou o Brasil e mobilizou as forças de segurança do Sul e Sudeste ganhou um novo e intrigante capítulo. Informações que circulam desde o último fim de semana dão conta de que os suspeitos do crime Antônio Buscariollo (66 anos) e seu filho, Carlos Eduardo Cândido Buscariollo, teriam sido vistos em um pesque-pague no interior de São Paulo.

A dupla é a principal suspeita de arquitetar e executar quatro homens no distrito de Vila Rica do Ivaí, em Icaraíma (PR).

Antônio e Paulo Buscariollo, principais suspeitos no desaparecimento e morte de quatro amigos em Icaraíma

​Nesta terça-feira (3), o delegado Thiago Andrade Inácio, responsável pelo inquérito, revelou ao portal OBemdito que a denúncia está sendo verificada com cautela.

“A informação chegou e determinamos a verificação imediata. Contudo, detalhes como o local exato e a data não serão divulgados para não prejudicar o andamento das investigações”, afirmou o delegado.

O que causa estranheza às autoridades, porém, é que, apesar do suposto reconhecimento, não houve uma denúncia formal imediata no momento do avistamento, o que levanta dúvidas sobre a veracidade do relato.

Confira a suposta aparição dos suspeitos

Foto: OBemdito

​Origem da chacina dos 4 amigos : a dívida de R$ 750 mil

​Diferente das versões iniciais, a investigação revelou que o crime não nasceu de um simples desacordo, mas de uma transação imobiliária mal resolvida.

  • ​Compra: Alencar Gonçalves de Souza Giron comprou um sítio de cinco alqueires de Antônio Buscariollo por R$ 750 mil, pagando R$ 255 mil à vista.
  • ​Distrato: Como o financiamento bancário do restante do valor foi negado, o negócio foi desfeito.
  • Cobrança: Buscariollo deveria devolver o valor pago em 10 parcelas de R$ 25 mil, mas os pagamentos atrasaram. Alencar, então, contratou cobradores de São José do Rio Preto (SP) para tentar receber a dívida.

​Dia da execução dos 4 amigos: 5 de Agosto de 2025

​As vítimas Alencar Giron (36), Diego Henrique Affonso (39), Rafael Marascalchi (43) e Robishley de Oliveira (53) foram vistas com vida pela última vez em uma panificadora de Icaraíma.

Laudos periciais divulgados em dezembro de 2025 apontam que a execução ocorreu por volta das 12h30 daquele mesmo dia, logo após o grupo chegar à propriedade rural dos Buscariollo. O ataque foi implacável

​Foram utilizadas pelo menos cinco armas diferentes, incluindo calibres de uso restrito como 5.56 e .223, além de 9mm e calibre 12. Não houve tortura. As vítimas foram alvejadas dentro ou ao lado de uma caminhonete Fiat Toro branca por atiradores posicionados em três pontos diferentes, indicando uma emboscada profissional.

​O Bunker e a ocultação de cadáveres

​Um dos detalhes mais sinistros do caso foi a localização da caminhonete das vítimas, ocorrida apenas em 12 de setembro de 2025. O veículo foi encontrado enterrado em uma vala profunda, dentro de um bunker — estrutura subterrânea usada para esconder armas e drogas.

​A retirada do carro exigiu 10 horas de trabalho com maquinário pesado. Dentro da caminhonete, peritos encontraram marcas de sangue e objetos pessoais, como um boné de Diego Affonso. No entanto, até hoje, os corpos dos quatro homens permanecem desaparecidos, o que prolonga o sofrimento das famílias.

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