O Programa Limpa Rio, criado em 2021 pela SEAS e pelo INEA, já removeu mais de 17 milhões de m³ de resíduos e atua na prevenção de enchentes. Com a chegada do verão de 2026, o governo propõe campanha para ampliar a conscientização e incentivar o descarte correto de lixo, com investimento de praticamente R$ 1,4 bilhão ao longo de seis anos.
Superando um cenário com anomalias positivas acima de 75 mm de chuva que assolaram principalmente o litoral sul do estado ao longo de janeiro, e com chuvas também acima da média em fevereiro, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Governo do Estado do Rio de Janeiro enfrenta cenário desafiador para combater alagamentos em todos os municípios durante o verão.
Com um início de 2026 bastante chuvoso e que superou todas as médias históricas desde o início das medições, as ações de prevenção passam a ser necessárias principalmente para proteger regiões vulneráveis.
Programa ‘Limpa Rio’
Com o Programa ‘Limpa Rio’, criado em 2021, o Governo do Estado concretiza há cinco anos um projeto de combate para prevenir alagamentos e inundações decorrentes de chuvas intensas para proteger a população e as infraestruturas urbanas e rurais dos 92 municípios.
Lançado pela Secretaria do Estado do Ambiente e Sustentabilidade do RJ (SEAS) em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), o projeto é uma iniciativa estruturante de limpeza, desassoreamento e manutenção de mais de 2,2 mil quilômetros de rios, córregos e canais em todo o estado, mediante investimento de R$ 1 bilhão.
O resultado já gerou a remoção de mais de 17 milhões de metros cúbicos de resíduos dos ecossistemas de água doce do Rio de Janeiro, o equivalente a quase 7 mil piscinas olímpicas. Apesar dos resultados expressivos, o programa prevê uma nova expansão.
Combate ao descarte irregular
Segundo dados do programa Linha Verde, do Disque Denúncia do Rio de Janeiro, o estado registrou 29.973 denúncias sobre ilícitos cometidos contra o Meio Ambiente somente ao longo de 2025, aumento de quase 30% se comparado ao ano de 2024.
O lixo acumulado de forma irregular foi o sexto tópico com o maior número de denúncias, sendo 1.536 durante o período, 62% maior do que o ano anterior. Mesmo sem exibir dados concretos da poluição do ecossistema aquático no Rio, a prevenção segue em pauta visando uma perspectiva positiva no futuro próximo.
Com o interesse de combater as estatísticas crescentes, o governo prevê ainda mais R$ 390 milhões de investimento para 2026, sexto ano do ‘Limpa Rio’, onde as projeções miram a continuidade do combate eficaz contra alagamentos e enchentes, melhorando a vazão hídrica.
Outros ações ambientais do estado
O programa Limpa Rio integra um conjunto de políticas ambientais e de enfrentamento às mudanças climáticas desenvolvidas pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. Além da desobstrução e recuperação de rios e canais, a estratégia inclui ações estruturais voltadas à restauração florestal, preservação costeira, incentivo financeiro aos municípios e prevenção de desastres.
Entre os principais projetos complementares está o Florestas do Amanhã, voltado ao reflorestamento da Mata Atlântica em território fluminense. A iniciativa prevê investimento de R$ 60 milhões em 2026 e tem como meta recuperar 440 mil hectares até 2050, com potencial de retirar mais de 150 milhões de toneladas de CO₂ da atmosfera. O objetivo é ampliar a cobertura vegetal, fortalecer corredores ecológicos e contribuir para o cumprimento de metas climáticas de longo prazo.
Outro eixo estratégico é a Aliança pelos Manguezais, iniciativa internacional da qual o Rio de Janeiro é o primeiro estado brasileiro a participar. O foco é preservar e restaurar até 15 milhões de hectares de manguezais até 2030, reconhecendo o papel desses ecossistemas na proteção costeira, na biodiversidade marinha e na captura de carbono. A adesão reforça o compromisso com soluções baseadas na natureza.
Maior cobertura vegetal e desmatamento zero
Os resultados ambientais já aparecem em indicadores de vegetação. O estado ampliou a cobertura de vegetação nativa nos últimos 39 anos e, desde 2010, mantém taxas de desmatamento próximas de zero. A recuperação de áreas degradadas também tem favorecido o retorno de espécies da fauna, como antas e onças-pintadas, a determinados fragmentos florestais.

No campo econômico, o ICMS Ecológico funciona como instrumento de estímulo às políticas ambientais municipais. Neste ciclo, a previsão é de repasse superior a R$ 307 milhões às prefeituras que investem em conservação, saneamento e gestão ambiental. Desde 2009, o mecanismo já distribuiu cerca de R$ 3,5 bilhões, fortalecendo a descentralização das ações ambientais.
Mudanças climáticas
No enfrentamento direto às mudanças climáticas, o estado já investiu R$ 4,3 bilhões desde 2021 em obras e projetos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU (Organização das Nações Unidas). As intervenções incluem drenagem urbana, contenção de encostas e melhorias estruturais para reduzir riscos de enchentes e deslizamentos.
Entre as iniciativas estruturantes está o programa RJ Resiliente, desenvolvido com apoio da ONU-Habitat. A proposta é integrar políticas de prevenção a desastres, planejamento urbano e redução de vulnerabilidades sociais e ambientais, alcançando dezenas de municípios fluminenses.
Em conjunto, esses projetos ampliam o alcance do Limpa Rio e consolidam uma política ambiental que combina recuperação de ecossistemas, incentivo financeiro, adaptação climática e proteção da população diante de eventos extremos.

