O montante estava vinculado às apurações sobre irregularidades envolvendo o Banco Master. Para o ministro, os indícios apontam que, mesmo após deixar a prisão em novembro de 2025, Vorcaro teria continuado a movimentar recursos de forma a dificultar o rastreamento pelas autoridades, o que justificou medidas cautelares adicionais.

Daniel Vorcaro (Foto: Reprodução)
Daniel Vorcaro (Foto: Reprodução)

A investigação conduzida pela Polícia Federal revelou a existência de aproximadamente R$ 2,2 bilhões supostamente mantidos fora do alcance das autoridades pelo banqueiro Daniel Vorcaro, principal nome à frente do Banco Master. O montante teria sido movimentado por meio de uma conta bancária registrada em nome de Henrique Moura Vorcaro, pai do empresário.

Segundo determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os valores que totalizam R$ 2.245.235.850,24, estariam relacionados à empresa Reag e foram identificados durante diligências recentes. A ordem de bloqueio foi cumprida em 14 de janeiro de 2026, no âmbito de mais uma etapa da Operação Compliance Zero.

A nova fase da operação ocorreu pouco mais de um mês após Vorcaro deixar a prisão. Para o ministro, a identificação da quantia bilionária fortalece as suspeitas de continuidade das práticas investigadas. Na avaliação do magistrado, mesmo após a soltura, haveria indícios de que o grupo investigado manteve a estratégia de ocultação de patrimônio por meio de terceiros.

O caso segue em apuração e integra um conjunto de medidas adotadas para rastrear recursos e apurar possíveis crimes financeiros, lavagem de dinheiro e atuação de organização criminosa.

Investigação aponta atuação coordenada de Daniel Vorcaro

De acordo com os autos do processo, a suposta ocultação de bilhões por Daniel Vorcaro não teria ocorrido de forma isolada. A decisão judicial aponta que o banqueiro contava com a colaboração de seu cunhado e operador financeiro, Fabiano Campos Zettel, além de outros integrantes de um grupo interno denominado “A Turma”.

O documento enfatiza que “não é possível separar as ações de Daniel Vorcaro das de seu operador financeiro Fabiano Zettel”, indicando que Zettel teria desempenhado papel central na organização e execução das operações financeiras sob investigação.

Em comunicado oficial, a defesa de Vorcaro afirma que o empresário sempre se colocou à disposição das autoridades, prestando colaboração de forma transparente desde o início das apurações, e nega qualquer tentativa de obstrução da Justiça.

“A defesa refuta de forma categórica as acusações dirigidas a Vorcaro e acredita que a completa apuração dos fatos comprovará a regularidade de suas ações. Reafirma confiança no devido processo legal e no funcionamento adequado das instituições”, destaca a nota divulgada.

STF bloqueia bilhões de Daniel Vorcaro

Após a localização dos recursos, o STF determinou o bloqueio das quantias, visando impedir qualquer movimentação e assegurar a preservação do patrimônio enquanto as apurações prosseguem.

Segundo o ministro André Mendonça, as evidências levantadas pela Polícia Federal indicam uma possível tentativa de ocultação de ativos vinculados às irregularidades sob investigação, o que motivou a adoção de medidas cautelares e novas diligências no caso.

A Operação Compliance Zero segue investigando suspeitas de crimes financeiros e cibernéticos, incluindo lavagem de dinheiro, corrupção, ameaças e invasão de sistemas informáticos, atribuídos a membros do grupo associado ao Banco Master.

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