Além de manter uma rotina esportiva regular, jogando várias vezes por semana, o centenário tem um histórico de participação em competições, incluindo um torneio internacional nos Estados Unidos aos 97 anos, onde chegou ao pódio. Tito atribui sua vitalidade à prática contínua de exercícios e ao estilo de vida ativo, e garante que seguirá nas quadras sempre que tiver condições físicas para isso.
A longevidade costuma trazer limitações físicas que levam muitas pessoas a reduzir o ritmo de atividades esportivas. No entanto, o tenista chileno Miguel Zerené Báez, conhecido como Tito Zerené, desafia essa lógica. Aos 101 anos, ele segue ativo nas quadras e mantém viva a paixão pelo tênis, esporte que pratica há cerca de oito décadas e disputa com seu filho, neto e bisneto.
Nascido em 1924 na comuna de Villa Alegre, localizada a aproximadamente 289 quilômetros de Santiago, o tenista Tito Zerené começou a se envolver com o tênis ainda jovem. A relação com o esporte se fortaleceu quando ele tinha 18 anos, após a mudança de sua família para a capital chilena.
Em entrevista ao PAGE NOT FOUND, o centenário relembrou os primeiros passos no esporte, falou sobre as partidas disputadas contra alguns dos principais tenistas do Chile e destacou sua participação na criação do departamento de tênis do Club Palestino. Ele também contou que continuou competindo em alto nível mesmo em idade avançada, inclusive participando de um torneio internacional aos 97 anos.
Ao completar 100 anos, Tito Zerené recebeu uma homenagem especial do clube onde ajudou a impulsionar a prática do tênis e que frequentou durante grande parte da vida. Procurada pela reportagem, a International Tennis Federation confirmou que ele é atualmente o tenista mais velho ainda em atividade no mundo.
Passagem rápida de Tito Zerené pelo Brasil
Em entrevista, o chileno Miguel Zerené Báez, também relembrou sua breve passagem pelo Brasil e contou detalhes de como começou a se dedicar ao tênis. Ele afirmou que visitou o país há cerca de oito décadas, quando fez uma parada rápida na cidade de Natal. A viagem fazia parte de um trajeto rumo à Europa, em 1948, para acompanhar os Jogos Olímpicos de Londres 1948.
Segundo Tito, a estadia no Brasil durou apenas uma noite, já que no dia seguinte ele seguiu viagem atravessando o Oceano Atlântico em meio a uma forte tempestade. O percurso incluiu escalas em Madri e Paris antes da chegada à capital britânica.
Durante a conversa, Tito também explicou como surgiu seu interesse pelo tênis. Ele contou que começou a praticar o esporte aos 18 anos, depois que sua família deixou a cidade onde vivia e se mudou para Santiago. No local onde cresceu, ao sul da capital chilena, não existiam quadras de tênis, o que impossibilitava o contato com a modalidade.
Ao chegar a Santiago e ver as quadras pela primeira vez, ele disse ter ficado imediatamente encantado com o esporte. Desde então, a paixão nunca mais deixou de fazer parte de sua rotina, algo que já dura mais de 80 anos.
Tito também comentou sobre a evolução do tênis no Chile. Segundo ele, a modalidade não era tão popular quando começou a jogar, mas ganhou grande visibilidade anos depois com o surgimento de atletas de destaque internacional, como Marcelo Ríos, Jaime Fillol e Jaime Pinto Bravo. Ele ainda citou nomes de gerações anteriores, como Andrés Hammersley, ressaltando que esses jogadores ajudaram a abrir caminho para a popularização do esporte no país.
Tito prefere papel de amador
Durante a entrevista, Miguel Zerené Báez, falou também sobre sua contribuição para o crescimento do tênis no Chile. Apesar de ter participado de diversas competições, ele afirmou que prefere não assumir o papel de responsável pela popularização do esporte no país, ressaltando que sempre atuou como jogador amador.
Segundo Tito, ele nunca integrou a seleção chilena de tênis nem disputou torneios representando oficialmente o país no exterior. A maior parte de sua trajetória foi marcada por campeonatos internos. A primeira vez que saiu do Chile para competir aconteceu já na categoria sênior, quando participou de um torneio organizado pela International Tennis Federation, realizado nos Estados Unidos.
Ele contou que a viagem aconteceu principalmente por incentivo da família. Pai de três filhos, Tito disse que foram eles que insistiram para que ele participasse do campeonato. O tenista decidiu aceitar o convite encarando a experiência como uma oportunidade de viajar, se divertir e viver algo novo.
A viagem acabou se transformando em um momento especial, já que ele foi acompanhado por vários familiares, incluindo filhos, netos e até um bisneto de apenas dois anos, que fizeram parte da torcida durante o torneio.

Seu Tito com a família (Reprodução/Redes Sociais)
Além da experiência em família, Tito também se surpreendeu com o próprio desempenho na competição. Ele terminou o torneio na terceira colocação e voltou para casa com uma medalha, resultado que, segundo ele, não esperava alcançar. Na final, acabou sendo derrotado por um jogador americano que viria a se tornar o campeão do campeonato.
Aproveitando a viagem aos Estados Unidos, o chileno também realizou outro desejo antigo, visitar a NASA. Durante o passeio, ele e a família conheceram as instalações da agência espacial e puderam ver de perto estruturas relacionadas aos foguetes utilizados em missões espaciais, experiência que ele descreveu como marcante.
Tênis sempre foi hobby, não profissão
Miguel Zerené Báez, comentou sobre sua experiência em competições internacionais e sua trajetória no tênis chileno. Ele revelou que, durante o torneio nos Estados Unidos, tinha 97 anos, sendo o participante mais velho de toda a competição.
Os demais jogadores estavam entre 80 e 82 anos, o que, segundo Tito, dava uma vantagem natural para os adversários mais jovens. O centenário também afirmou que já foi convidado para disputar um campeonato em Lima e que continuará ativo no esporte.
Tito explicou ainda que, apesar de ter chegado à principal divisão do tênis chileno, o esporte nunca foi sua profissão, mas sim um hobby. Ele passou por todas as categorias competitivas do Chile, da quarta divisão à divisão de honra e, finalmente, à categoria principal. Embora tenha jogado algumas partidas importantes, ele nunca se destacou em campeonatos internacionais como profissional e prefere se divertir jogando com amigos e em clubes sociais até hoje.
Fora das quadras, Tito teve uma carreira na indústria têxtil, importando máquinas da França e dos Estados Unidos para produzir tecidos que eram enviados a tinturarias e depois transformados em roupas, como vestidos, blusas e calças.
Sobre sua relação com o Clube Palestino, ele contou que, em 1963, o local ainda não tinha quadras de tênis e funcionava apenas como um clube social. Por ser um dos melhores tenistas do país na época, Tito reuniu oito amigos para fundar o departamento de tênis do clube, todos com sobrenome árabe. Hoje, ele é o único sobrevivente do grupo.
O ex-atleta ressaltou que a convivência no clube é aberta e inclusiva, não sendo necessário ter origem árabe para participar. Sócios de diferentes nacionalidades podem praticar o esporte, mantendo um ambiente saudável e diversificado dentro do Clube Palestino.
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