A vacinação contra a dengue no Brasil deve levar anos até alcançar toda a população elegível. A avaliação é do infectologista Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan, que destacou os desafios para ampliar a produção e a distribuição do imunizante desenvolvido pela instituição.
A vacinação contra a dengue no Brasil deve levar anos até alcançar toda a população elegível. A avaliação é do infectologista Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan, que destacou os desafios para ampliar a produção e a distribuição do imunizante desenvolvido pela instituição.
Em entrevista ao portal Metrópoles, o especialista explicou que, apesar do avanço representado pela vacina nacional, a disponibilidade de doses ainda é limitada e o processo de imunização precisará ocorrer de forma gradual.
A dengue é um problema de saúde pública no Brasil desde que foi introduzida no país na década de 1980. Em 2024, a doença registrou números históricos, com cerca de 6,6 milhões de casos e 6.183 mortes.
Vacina em dose única foi aprovada em 2025
A vacina Butantan-DV é a primeira do mundo em dose única capaz de proteger contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. O registro do imunizante foi concedido em dezembro de 2025 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, autorizando o uso em pessoas entre 12 e 59 anos.
Desde então, cerca de 1,3 milhão de doses foram enviadas ao Programa Nacional de Imunizações. O Butantan também anunciou a antecipação da entrega de mais 1,3 milhão de doses no primeiro semestre de 2026, totalizando 2,6 milhões. Segundo Kallás, as novas remessas devem ser entregues até abril.
Prioridade para grupos de maior risco
Mesmo com o início da distribuição, a vacinação ainda deve se concentrar nos grupos considerados mais vulneráveis à forma grave da doença. O Ministério da Saúde do Brasil começou a imunização em fevereiro, priorizando profissionais de saúde da atenção primária que atuam no Sistema Único de Saúde.
A expectativa é vacinar cerca de 1,2 milhão de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários. Após esse grupo, o plano prevê a imunização gradual de faixas etárias mais velhas, até o limite de 59 anos, conforme novas doses forem disponibilizadas.

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Produção em larga escala é desafio
De acordo com o diretor do Butantan, seriam necessárias aproximadamente 120 milhões de doses para imunizar toda a população brasileira dentro da faixa etária autorizada.
O planejamento de uma produção dessa magnitude envolve desafios logísticos e industriais. Como a vacina é aplicada em dose única, após a imunização em massa não haveria necessidade de manter a produção em grande escala, o que exige planejamento para o uso futuro da estrutura fabril.
“Como não temos disponibilidade imediata de tantas doses, vamos demorar alguns anos para atingir esse número”, afirmou o infectologista.
Estudo aponta proteção por cinco anos
Um estudo conduzido pelo Instituto Butantan e publicado na revista científica Nature indicou que a vacina mantém eficácia por pelo menos cinco anos após a aplicação. A pesquisa acompanhou mais de 16 mil voluntários com idades entre 2 e 59 anos. Após cinco anos, a eficácia geral contra dengue sintomática confirmada em exames foi de 65%, enquanto a proteção contra casos graves chegou a 80,5%.
Durante o período de acompanhamento, nenhum voluntário vacinado desenvolveu formas graves da doença ou precisou ser hospitalizado por causa da infecção.
Prevenção continua necessária
Mesmo com a vacinação, especialistas reforçam que as medidas de prevenção continuam fundamentais. O mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, também pode espalhar outras doenças, como Chikungunya e Zika.
Por isso, a recomendação é manter cuidados como eliminar água parada e evitar locais que possam servir de criadouros para o mosquito. Segundo Kallás, a vacinação deve atuar como complemento, e não substituto, dessas medidas de controle.
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