A Polícia Civil pediu a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça em São Paulo. A solicitação ocorreu após a exumação do corpo indicar lesões no pescoço e rosto da vítima, com sinais de esganadura antes do disparo. A morte, inicialmente tratada como suicídio, agora é investigada como possível homicídio.
A Polícia Civil pediu a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro no apartamento onde o casal morava, no bairro do Brás, região central de São Paulo.
O pedido de prisão foi encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, que analisa a solicitação dos investigadores. O caso havia sido inicialmente registrado como suicídio, mas passou a ser tratado como morte suspeita após novas evidências surgirem durante a investigação.
Segundo o depoimento do tenente-coronel à polícia, Gisele teria tirado a própria vida após uma discussão em que ele teria comunicado o desejo de se separar. O oficial afirmou que estava no banho quando ouviu o disparo e que, ao sair do banheiro, encontrou a esposa caída na sala com a arma nas mãos. A família da policial contesta essa versão.
Gisele chegou a ser socorrida por equipes de resgate, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos. Ela morreu no mesmo dia após ser levada ao Hospital das Clínicas de São Paulo.
Exumação aponta sinais de esganadura
Um dos principais elementos que reforçaram as suspeitas foi o laudo necroscópico elaborado após a exumação do corpo da vítima. O exame revelou a presença de lesões no rosto e no pescoço da policial.
De acordo com os peritos, os ferimentos indicam que Gisele pode ter desmaiado pouco antes de ser baleada na cabeça. No documento, os especialistas apontam que as lesões foram causadas por “pressão digital e escoriação compatível com marcas de unha”.
A exumação do corpo foi realizada na última sexta-feira (6), no Instituto Médico-Legal de São Paulo, como parte das novas diligências da investigação.
Movimentação no apartamento
Outro ponto investigado envolve a movimentação no apartamento após a morte da policial. Em depoimento obtido pelo portal Metrópoles, a inspetora do condomínio onde o casal morava relatou que diversas pessoas entraram no imóvel ao longo do dia.
Segundo a testemunha, três policiais foram ao apartamento às 17h48 para realizar a limpeza do local. Ainda de acordo com o relato, o tenente-coronel também retornou ao imóvel no mesmo dia para buscar alguns pertences antes de seguir para São José dos Campos, no interior paulista.
A inspetora afirmou ainda que, após o atendimento inicial à vítima, o militar permaneceu no corredor do prédio conversando ao telefone e com policiais que atendiam a ocorrência. Em determinado momento, ao saber que a esposa ainda estava viva, ele teria dito que “ela não ia sobreviver”.
Reconstrução do crime
A investigação tenta reconstruir o que aconteceu no apartamento na manhã do dia 18 de fevereiro. De acordo com a polícia, Gisele foi baleada por volta das 7h.
Equipes de resgate foram acionadas para realizar manobras de reanimação. A policial foi encaminhada em estado gravíssimo ao Hospital das Clínicas, onde morreu por volta das 12h em decorrência de traumatismo cranioencefálico.
Perícias técnicas, imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas fazem parte do conjunto de provas analisado pelos investigadores.
Depoimentos contraditórios
O tenente-coronel afirmou à polícia que, após ouvir o barulho, acionou o resgate e pediu que um amigo desembargador fosse até o local. Durante o depoimento, um delegado questionou o fato de ele ter retornado ao apartamento para tomar banho depois da ocorrência.
Em resposta, o militar alegou que precisaria se preparar porque “passaria um longo período fora de casa”.
O oficial também declarou que não era aceito pela família da esposa e que já havia iniciado um processo de divórcio, o que teria provocado uma “reação negativa” de Gisele.
A mãe da policial, porém, apresentou uma versão diferente. Em depoimento, ela afirmou que o casal vivia um relacionamento conturbado e acusou o genro de ser abusivo e violento.
Segundo a mãe, o tenente-coronel não permitia que a filha usasse batom ou salto alto. Ela também relatou que, cerca de uma semana antes da morte, Gisele ligou pedindo que os pais fossem buscá-la porque não suportava mais a pressão do relacionamento e queria se separar.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
Leia mais no BacciNotícias:
