K foi levada ainda adolescente para viver na casa de Amanda Wixon, no Reino Unido, onde permaneceu por mais de 25 anos realizando trabalhos domésticos forçados. Durante esse período, ela foi submetida a agressões físicas, privação de comida e higiene e isolamento quase total, vivendo em condições consideradas degradantes.
Uma mulher mantida por quase três décadas em condições análogas à escravidão afirmou que nada poderá recuperar os anos que perdeu sob controle de sua exploradora. A declaração foi apresentada em uma nota lida no mesmo dia em que Amanda Wixon, responsável pelo caso, recebeu sentença de 13 anos de prisão.
No texto, a vítima relatou que viveu por anos sob medo constante, sendo controlada e submetida a abusos. Segundo ela, foi tratada como se sua liberdade e dignidade não tivessem valor, e afirmou que ainda convive diariamente com traumas e pesadelos decorrentes da experiência.
A mulher, identificada apenas como K e atualmente com cerca de 40 anos, tinha 16 quando começou a trabalhar e morar na casa de Wixon, em 1995. De acordo com as investigações, ela foi mantida em um pequeno quarto da residência e privada de necessidades básicas, como alimentação adequada e atendimento médico ou odontológico.
Ainda conforme o relato, K não tinha permissão sequer para se higienizar, mas era obrigada a cuidar das crianças da casa e preparar banhos para a própria responsável pelo cárcere.
Acusação descreve abusos e maus-tratos
De acordo com a acusação, Amanda Wixon submetia a vítima a diversos tipos de violência. Entre os abusos relatados, ela teria despejado produtos de limpeza na garganta de K, obrigado a jovem a permanecer ajoelhada por longos períodos e permitido apenas uma refeição diária, composta por restos de comida.
A situação só veio à tona em 2021, quando K conseguiu pedir ajuda após receber um telefone de uma pessoa cuja identidade não foi revelada. Doente, ela entrou em contato com esse indivíduo e relatou sua situação.
A polícia foi acionada e, ao chegar ao local, encontrou a mulher em estado debilitado, assustada, muito magra e desnutrida, além de apresentar forte odor corporal, cabelo cortado e hematomas visíveis nos braços.

Amanda Wixon condenada a 13 anos de prisão (Foto: Divulgação/Gloucestershire Constabulary)
Gravações revelam sofrimento
Segundo informações publicadas pelo jornal The Guardian, gravações de áudio divulgadas pelas autoridades mostram a vítima relatando o sofrimento vivido. Em uma das mensagens, K afirma que passou a noite em agonia, chorando, sem ter com quem conversar.
Em outro trecho, ela revela um desejo simples que tinha durante o período de cárcere: poder passear diariamente com o cachorro da família. “Eu sonho em fazer isso, mas não consigo”, diz na gravação.
Apesar do trauma, a declaração lida durante a sentença também traz um sinal de esperança. Atualmente, K afirma estar vivendo com uma família que lhe oferece apoio, paciência e carinho. Segundo ela, esse acolhimento tem sido fundamental para ajudá-la a reconstruir a vida e recuperar a sensação de segurança que havia sido perdida.
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