Ministros do STF votaram para manter a prisão do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado em um esquema bilionário de fraudes financeiras. André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques já se posicionaram a favor da medida em julgamento virtual. Falta apenas o voto de Gilmar Mendes. A investigação da Polícia Federal aponta lavagem de dinheiro, corrupção e intimidação de adversários.
Os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), votaram para manter a prisão do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O julgamento ocorre em plenário virtual e segue aberto desta sexta-feira (13) até o próximo dia 20.
Nesse formato de julgamento, os ministros apresentam os votos de forma online, sem debate presencial. Caso algum integrante da Corte peça vista, o julgamento pode ser suspenso. Se houver pedido de destaque, o caso será levado para análise no plenário físico do tribunal.
No voto apresentado, Mendonça afirmou que a decisão que determinou a prisão deve ser mantida, com exceção da parte relacionada ao investigado Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão. Segundo o ministro, a medida perdeu eficácia em relação a ele porque o suspeito morreu enquanto estava preso.
“Ante o exposto, voto pelo referendo à medida cautelar, excetuado apenas o comando destinado ao investigado Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, porque veio a falecer”, escreveu o ministro.
Julgamento na Segunda Turma
O caso é analisado pela Segunda Turma do STF, formada pelos ministros André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Até o momento, apenas Gilmar Mendes ainda não apresentou voto.
Toffoli era o relator do processo, mas foi afastado após a Polícia Federal encontrar mensagens trocadas entre ele e o banqueiro investigado. Na quarta-feira (11), o ministro se declarou suspeito para julgar todos os processos relacionados ao caso e confirmou a decisão quando a votação foi aberta.
Investigação da Polícia Federal
Menos de um mês após assumir a relatoria do processo, André Mendonça determinou, em 4 de março, a nova prisão de Daniel Vorcaro. O empresário foi detido em São Paulo no âmbito de uma investigação que apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria quatro núcleos principais de atuação. O primeiro seria responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro. Outro núcleo atuaria na cooptação de servidores públicos ligados ao Banco Central do Brasil.
As investigações também apontam a existência de um núcleo voltado à ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, além de um grupo responsável por intimidação e obstrução de Justiça.
De acordo com os investigadores, o esquema ainda manteria uma estrutura paralela de vigilância e coerção privada, chamada de “A Turma”, que teria sido utilizada para monitorar ilegalmente adversários, jornalistas e autoridades.
