Pela primeira vez, telecirurgias robóticas foram realizadas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Os procedimentos ocorreram entre os dias 24 e 26 de fevereiro e foram conduzidos por equipes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
Pela primeira vez, telecirurgias robóticas foram realizadas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Os procedimentos ocorreram entre os dias 24 e 26 de fevereiro e foram conduzidos por equipes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
As operações conectaram, em tempo real, um console de comando localizado no Centro de Treinamento em Procedimentos Minimamente Invasivos (PROMIN) aos braços robóticos instalados a cerca de 15 quilômetros de distância, no Hospital Universitário da USP (HU-USP).
Segundo os idealizadores do projeto, o objetivo foi demonstrar que esse tipo de tecnologia, tradicionalmente disponível apenas na rede privada, também pode ser incorporado ao sistema público.
“Levar essas operações a pessoas que normalmente não teriam acesso a essa tecnologia dialoga diretamente com um dos princípios do SUS: a equidade”, afirma José Pinhata Otoch, professor titular do Departamento de Cirurgia da FMUSP e superintendente do HU-USP.
Testes e protocolo de segurança
De acordo com Everson Luiz de Almeida Artifon, coordenador do PROMIN e do projeto, a primeira etapa ocorreu cerca de quatro meses antes das cirurgias, com testes para validar a estabilidade da conexão entre os dois centros.
Ao todo, 28 cirurgiões operaram modelos de silicone para avaliar habilidades técnicas e garantir que a conectividade da rede fosse segura.
O protocolo incluiu três linhas de fibra óptica — uma principal e duas redundantes — além de um console de backup dentro da sala de cirurgia. Dessa forma, um médico presente no hospital poderia assumir o procedimento imediatamente em caso de falha de sinal.
Procedimentos em cinco especialidades
Na etapa seguinte, foram realizadas cirurgias em cinco especialidades: urologia, cabeça e pescoço, cirurgia torácica, cirurgia geral e ginecologia.
Entre os procedimentos realizados esteve uma prostatectomia oncológica — cirurgia para retirada da próstata e das vesículas seminais no tratamento de câncer localizado. O paciente recebeu alta hospitalar no dia seguinte, com evolução clínica considerada satisfatória.
Segundo a FMUSP, todos os cinco pacientes que participaram das telecirurgias estavam na fila de espera do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Possível expansão da tecnologia
A instituição afirma que o modelo pode ser replicado em outras unidades e informou que já iniciou conversas com o Ministério da Saúde para discutir a criação de um grupo de trabalho.
A proposta é avaliar critérios para a possível incorporação da telecirurgia robótica como política pública, além de debater aspectos regulatórios da tecnologia.
Segundo Artifon, além de ampliar o acesso a procedimentos complexos, a cirurgia robótica também permite cirurgias minimamente invasivas, com menos sangramento, menor dor e recuperação mais rápida para os pacientes.
Ele também destaca que a tecnologia pode contribuir para a formação de novos profissionais por meio da chamada telementoria, modelo em que cirurgiões experientes acompanham e orientam operações realizadas à distância.
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