Parlamentares acionaram o Conselho de Ética da Alesp contra a deputada Fabiana Bolsonaro após ela usar “blackface” em discurso contra Erika Hilton. O caso pode resultar em punições por quebra de decoro, incluindo até perda de mandato.
Parlamentares de esquerda de São Paulo protocolaram uma representação no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) contra a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL). A ação ocorreu após a parlamentar pintar o rosto e parte do corpo de marrom durante discurso em sessão realizada nesta quarta-feira (18).
O gesto, conhecido como “blackface”, foi feito como forma de crítica à deputada federal Erika Hilton (PSol). O caso será analisado pelo Conselho de Ética, que pode avaliar possível quebra de decoro parlamentar. As punições previstas vão de advertência até a perda do mandato.
Durante a fala, Fabiana Bolsonaro criticou a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
“A gente viu agora essa semana […] que uma mulher trans foi colocada como presidente da Comissão da Mulher. E isso me entristece muito”, afirmou.
Entenda o caso
A prática de “blackface” consiste em pintar o rosto ou corpo para representar pessoas negras de forma caricata. No Brasil, esse tipo de conduta pode ser enquadrado como racismo, crime previsto na Lei nº 7.716/1989.
A representação apresentada à Alesp pede a apuração da conduta da deputada e eventual responsabilização disciplinar.
Eleição na Câmara
Erika Hilton foi eleita no último dia 11 de março para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. Ela é a primeira mulher trans a ocupar o cargo e recebeu 11 votos.
Entre as propostas anunciadas, a parlamentar defende a aceleração de projetos voltados à proteção das mulheres e o combate a discursos que promovem ódio e desinformação.
O caso segue sob análise e ainda não há prazo para decisão do Conselho de Ética.
