Lula criticou o Banco Central do Brasil após corte menor da Selic do que a previsão, e deixou escapar palavrão durante discurso em São Paulo.

Presidente demonstrou insatisfação com decisão (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Presidente demonstrou insatisfação com decisão (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou escapar um palavrão durante um duro discurso realizado nesta quinta-feira (19), na abertura da 17ª Caravana Federativa, em São Paulo. Ele demonstrou insatisfação com a decisão do Banco Central (BC) após reunião para definir mudanças na taxa básica de juros.

Lula critica decisão do BC

A reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) cortou apenas 0,25 ponto percentual, mantendo a taxa em 14,75% ao ano, o que não agradou o petista. “Hoje eu poderia estar mais feliz, mas estou triste, Haddad [Ministro da Fazenda], porque eu esperava que o nosso BC abaixasse o juros pelo menos 0,5%, mas abaixou só 0,25% dizendo que é por causa da guerra”, começou.

“Por**, essa guerra até no nosso Banco Central? Não é possível. Estamos fazendo sacrifício que vocês não têm noção, o sacrifício para fazer a economia crescer, geração de emprego, aumentar o salário das pessoas”, criticou Lula.

Incertezas com a guerra

A decisão do BC foi motivada por incertezas globais com o preço do petróleo, que disparou no início do mês de março, e mantém patamares fora da curva. O Brent, referência mundial para a commodity, se mantém acima de 107 dólares o barril.

O fechamento do Estreito de Ormuz, tendo em vista a guerra no Oriente Médio, diminui a oferta de petróleo no mercado, justificando o aumento dos preços em cerca de 46% desde o início do conflito, quando Estados Unidos e Israel, de forma conjunta, iniciaram ataques contra o Irã.

Inflação no Brasil

No Brasil, a escassez da commodity resulta em aumento direto principalmente no diesel e ameaça de greve dos caminhoneiros, rumores que projetam aumento dos preços de produtos em todo o território nacional.

A previsão de inflação para 2026 também se mostrou impactada pelo cenário, saltando de 3,91% no final de fevereiro para 4,10% na divulgação do Relatório Focus da última segunda-feira (16).

“O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil”, diz a decisão do Copom.

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