O fim da patente da semaglutida permite a produção de genéricos no Brasil, o que deve aumentar a concorrência e reduzir preços. A mudança pode facilitar o acesso a medicamentos usados no tratamento de diabetes e obesidade e abrir caminho para futura oferta no SUS.
A patente da semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus, chega ao fim nesta sexta-feira (20). Com isso, outras farmacêuticas passam a poder produzir versões genéricas e similares no Brasil, desde que aprovadas pela Anvisa.
Até então, a exclusividade de comercialização era da Novo Nordisk, responsável pelo desenvolvimento dos medicamentos.
Como funcionam as patentes
Pela legislação brasileira, medicamentos inovadores podem ser protegidos por patente por até 20 anos a partir do registro. Esse período garante à empresa que desenvolveu o produto o direito de exploração exclusiva, como forma de compensar os investimentos em pesquisa.
Após o vencimento desse prazo, outras fabricantes podem produzir e solicitar autorização para comercialização de versões equivalentes.
Impacto nos preços
Com a quebra da patente do Ozempic, a tendência é de aumento da concorrência no mercado, o que pode levar à redução dos preços — atualmente considerados elevados.
De acordo com Reginaldo Arcuri, presidente do Grupo FarmaBrasil, já existem ao menos 13 pedidos de registro de medicamentos à base de semaglutida no país, sendo sete de empresas nacionais.
No Brasil, medicamentos genéricos devem ser, por lei, ao menos 35% mais baratos que os de referência. Estudos indicam, porém, que a redução pode chegar a cerca de 59%. Já os similares costumam apresentar preços aproximadamente 15% menores.
Redução não será imediata
Apesar da expectativa de queda nos valores, o processo não deve ocorrer de forma instantânea. Os laboratórios ainda precisam desenvolver os produtos, adaptar suas estruturas industriais e obter aprovação regulatória antes de iniciar a comercialização.
Ainda assim, a expectativa do setor é de que os preços comecem a cair ao longo deste ano.
Possível impacto no SUS
A redução nos preços também pode influenciar a oferta desses medicamentos, como o Ozempic, no Sistema Único de Saúde. Em 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recomendou não incluir a semaglutida e a liraglutida na rede pública, citando o alto impacto financeiro — estimado em mais de R$ 8 bilhões.
Com valores mais baixos, no entanto, o cenário pode mudar.
O Ministério da Saúde informou que solicitou à Anvisa prioridade na análise de registros de medicamentos com semaglutida e liraglutida para tratamento de obesidade e diabetes tipo 2.
Segundo a pasta, a entrada de genéricos no mercado pode provocar uma queda média de até 30% nos preços, fator considerado decisivo para uma eventual incorporação ao SUS.
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